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A gestão de pessoas é hoje uma das práticas mais decisivas para o desempenho das organizações. De acordo com o relatório State of the Global Workplace , publicado pela Gallup em 2023, equipes com alto engajamento registram 21% mais produtividade e 23% mais lucratividade do que equipes com baixo engajamento.
A diferença raramente é técnica. A maioria das organizações perde talentos não por falta de competência, mas por desalinhamento de comportamento, valores e cultura. Montar um time campeão exige ir além do currículo: é preciso identificar quem tem o perfil comportamental certo para o contexto certo — e construir um ambiente onde esse potencial possa crescer.
Quatro líderes e especialistas da Pós PUCPR Digital revelam, a partir de experiências concretas, o que realmente separa times mediocres de times de alta performance nas empresas.
Carlos Oligari, presidente do Conselho de Administração da CEO Restoration, resume o principal dilema da gestão de pessoas com precisão: "Resultado individual, por si só, não basta.", afirma o executivo.
A performance sustentável nasce da capacidade de transformar competência individual em força coletiva. Quando alguém entrega muito, mas desorganiza relações ou enfraquece a confiança da equipe, deixa de ser apenas um talento. Passa a representar um risco organizacional concreto.
Na prática, isso significa que a seleção de pessoas precisa considerar não apenas o que o profissional faz, mas como faz, e como impacta os outros ao redor. Oligari destaca que evita montar equipes baseadas apenas em competência técnica ou resultado imediato. No curto prazo pode funcionar. O custo aparece depois: conflitos, desgaste e queda de colaboração. "Um time forte vale mais do que um brilho isolado.", destaca Oligari.
Assim como no futebol, em que um elenco desequilibrado compromete o desempenho coletivo mesmo com craques individuais, nas empresas a harmonia entre os profissionais é tão decisiva quanto o talento de cada um.
Se competência técnica é o pré-requisito, o que decide o jogo é menos visível: o comportamento. Para Liliane Rocha, CEO e fundadora da Gestão Kairós, a resiliência ocupa hoje o topo da lista de atributos mais valiosos na seleção de pessoas — e dos mais negligenciados. "Resiliência, paciência e serenidade valem ouro.", afirma Rocha.
Em um ambiente marcado por ritmo acelerado e mudanças constantes, muitos profissionais subestimam o tempo necessário para construir resultados consistentes. Há quem espere que a carreira avance na velocidade de um feed de redes sociais, observa Liliane.
Essa desconexão entre expectativa e realidade impacta a formação de equipes de forma direta. Profissionais podem parecer ideais durante o processo seletivo e não sustentar o ritmo do ambiente real.
Liliane relembra uma contratação que ensinou mais do que qualquer metodologia: um candidato que atendia a todos os critérios técnicos, mas não conseguiu se integrar à cultura do time. Em dois meses, os conflitos de relacionamento superaram as entregas. O aprendizado foi claro: alinhamento de valores e entendimento do contexto organizacional são tão decisivos quanto qualificação técnica.
Para aprofundar como identificar e desenvolver esses critérios comportamentais, a área de gestão por competências oferece um framework prático para estruturar processos seletivos com mais precisão.
Para Rafael Arroyo, Head of People da Amazon Brasil, há um critério inegociável ao montar uma equipe do zero: "Alguém que sabe quem é."
Ao longo de mais de duas décadas liderando equipes em escala global, Arroyo percebeu que os maiores problemas raramente são técnicos. Eles nascem de ego, insegurança e dificuldade de receber feedback.
"Pessoas sem autoconhecimento tendem a ocupar com poder externo o espaço que não conseguem preencher internamente.", afirmou Arroyo.
Uma pessoa com autoconhecimento genuíno colabora melhor, aprende com mais velocidade e lidera com mais integridade. Ela tem clareza sobre seus pontos fortes e limitações — e usa essa clareza para contribuir com o time, em vez de compensar inseguranças às custas dele.
Essa perspectiva muda o foco do processo seletivo. Em vez de buscar apenas habilidades prontas, líderes passam a valorizar o potencial de evolução e a maturidade emocional. O curso Agilidade Emocional: Performance e Resiliência aprofunda exatamente esse conjunto de competências — a consciência de si como base para performance sustentável.
Preparar equipes para o futuro não significa prever o que vai acontecer. Rafael Arroyo é direto: "Não dá para treinar alguém para um cenário que ainda não existe."
O que é tanto possível quanto necessário é desenvolver a capacidade de operar bem diante da incerteza. Três caminhos orientam essa abordagem na prática.
A curiosidade sustentada é o que mantém o profissional em modo de aprendizado. Ela não se manifesta em cursos acumulados no currículo, mas na postura diante do desconhecido.
Ou seja: a disposição de fazer perguntas, explorar perspectivas diferentes e questionar o próprio ponto de vista. Profissionais curiosos são mais adaptáveis — e geram mais valor em ambientes de mudança contínua.
Ambientes de transformação exigem profissionais capazes de agir sem certezas. Líderes que desenvolvem essa tolerância em suas equipes constroem times mais adaptáveis, já que a paralisia diante de decisões complexas é um dos maiores inibidores de performance em organizações que operam com alta velocidade de mudança.
O ciclo de ação, erro e correção rápida é mais valioso do que a busca pela perfeição na primeira tentativa. Organizações que penalizam o erro constroem equipes avessas ao risco — o oposto do que exige um ambiente de transformação. Valorizar o aprendizado rápido muda a cultura de dentro para fora.
Essa abordagem transforma o papel da liderança. O líder deixa de ser o dono das respostas e passa a ser o facilitador das perguntas certas. O curso Liderança Ágil: Pessoas, Projetos e Inovação desenvolve exatamente essa capacidade de liderar em contextos de incerteza com clareza e método.
A seleção do time é o início do campeonato. O que mantém o time competitivo ao longo do tempo é o desenvolvimento contínuo — e ele começa com um elemento que a ciência organizacional valida há décadas: a segurança psicológica.
Para Solange Mata Machado, presidente da Imaginar Solutions, ambientes seguros são a base de qualquer cultura de alta performance. Amy Edmondson , professora da Harvard Business School e referência mundial no tema, demonstrou em pesquisa longitudinal com equipes hospitalares que times psicologicamente seguros aprendem com mais eficiência e apresentam melhor desempenho.
E isso acontece uma vez que a ausência de medo libera capacidade cognitiva para resolver problemas e reportar falhas sem receio de punição. "Times que se sentem seguros aprendem mais rápido e inovam mais.", completou Edmondson.
Três práticas constroem esse ambiente na rotina da equipe.
As revisões de aprendizado — também chamadas de after action review — são rituais de reflexão estruturada após projetos ou ciclos de trabalho. Elas perguntam o que funcionou, o que não funcionou e o que seria feito diferente. O objetivo não é distribuir culpa, mas extrair aprendizado coletivo de forma sistemática.
Quando líderes expõem seus próprios erros com contexto e aprendizado associados, criam permissão para que a equipe faça o mesmo. Esse comportamento é o mais eficaz para construir segurança psicológica, já que elimina a assimetria de vulnerabilidade entre líder e liderado, o principal inibidor da aprendizagem coletiva.
Organizações que medem apenas o resultado final, penalizam o processo de aprendizado. Incluir indicadores de tentativas, ajustes e evolução de competências nos sistemas de avaliação muda o que a equipe entende como sucesso e cria incentivo real para o desenvolvimento contínuo.
Autonomia com responsabilidade e clareza de propósito são o que sustentam o engajamento de longo prazo. O curso Psicologia Positiva, Gestão de Pessoas e Saúde no Trabalho aprofunda como construir esses ambientes com base na ciência do comportamento.
Se fosse escolher apenas um critério na seleção de pessoas, Solange Mata Machado seria direta: capacidade de aprender continuamente. "A velocidade de aprender, desaprender e reaprender." Afirmou Machado.
Claudio Fernández-Aráoz , sênior adviser da Egon Zehnder, demonstrou em artigo publicado na Harvard Business Review em 2014 que a capacidade de aprender e se adaptar é mais preditiva de sucesso do que o histórico de experiências anteriores ou o nível de formação acadêmica.
A lógica é direta: o que alguém já sabe tem prazo de validade cada vez mais curto. O que determina o potencial futuro é a velocidade com que a pessoa aprende o que ainda não existe.
Esse conceito — conhecido como learnability — está diretamente ligado à adaptabilidade. A competência mais crítica em organizações que operam com alta velocidade de transformação.
Apesar de todo o avanço em metodologias de recrutamento, há competências fundamentais que continuam negligenciadas nos processos de seleção. Os quatro especialistas convergem para um conjunto de habilidades que decidem desempenho e que raramente aparecem como critério de contratação.
Desenvolver essas capacidades é o que o curso Pessoas, Gestão e Comportamento estrutura de forma aplicada.
Ouvir de verdade — sem julgamento, com atenção ao que não foi dito — é uma das habilidades mais raras e transformadoras no ambiente organizacional. Rafael Arroyo é preciso: "Os profissionais que mais impactam são os que fazem as pessoas se sentirem compreendidas."
A escuta profunda não é uma habilidade de relacionamento, é uma vantagem competitiva. Ela permite identificar o que está travando uma equipe, o que motiva cada pessoa e onde estão as oportunidades que reuniões de pauta nunca revelam.
Para desenvolver essa capacidade na prática, o texto por que entender a motivação humana é fundamental para gestores oferece referências concretas sobre escuta ativa e autonomia de equipes.
Para Carlos Oligari, saber conviver, respeitar as diferenças e colaborar é o que sustenta resultados duradouros. Organizações são sistemas de interdependência: quem não consegue navegar relacionamentos complexos cria fricção — e fricção tem custo direto sobre a produtividade do time.
A capacidade de lidar com pessoas não é apenas um traço de personalidade. É uma competência que se desenvolve, se pratica e se avalia.
Liliane Rocha reforça que autoconhecimento e consciência situacional são habilidades estruturais. Elas impactam a qualidade das decisões, a forma de dar e receber feedback e a capacidade de se posicionar sem defensividade.
Os profissionais com essa consciência elevam o nível de qualquer equipe que integram. E isso não acontece apenas pela competência técnica, mas pela qualidade da presença que trazem para o trabalho coletivo.
Solange Mata Machado chama atenção para a metacognição: a capacidade de refletir sobre o próprio processo de pensamento. Um profissional com metacognição sabe como aprende, identifica seus vieses e ajusta a abordagem diante de novos problemas.
Essa habilidade transforma experiência vivida em aprendizado transferível — e é o que diferencia quem acumula anos de trabalho de quem realmente evolui com eles.
Montar a melhor escalação era suficiente quando o ambiente era previsível. No cenário atual, líderes precisam ir além: criar as condições para que os talentos evoluam continuamente. Isso exige quatro mudanças concretas na prática de liderança.
A primeira é a clareza de critérios na seleção de pessoas — saber exatamente quais comportamentos e valores são inegociáveis antes de iniciar qualquer processo seletivo. A segunda é a construção de uma cultura de aprendizado e feedback, onde erros são tratados como dados e não como falhas de caráter.
A terceira é a valorização explícita das competências humanas — escuta, colaboração, autoconhecimento, metacognição — nos sistemas de reconhecimento e avaliação.
A quarta é o equilíbrio entre performance e bem-estar: times que sustentam alta entrega por longos períodos são os que têm espaço para recuperação, clareza de propósito e segurança psicológica.
O líder moderno não escolhe jogadores, ele forma o time ao longo do campeonato. Para quem lidera ou quer liderar times de alta performance, o curso RH & IA: Gestão Humana Data-Driven combina dados e gestão de pessoas para transformar decisões de RH em estratégia organizacional.
Já o curso Liderança Ágil: Pessoas, Projetos e Inovação desenvolve a capacidade de liderar equipes com clareza, ritmo e propósito.
A gestão de pessoas é o conjunto de práticas que envolvem atrair, selecionar, desenvolver e reter profissionais alinhados com os objetivos e a cultura da organização. Vai além do RH tradicional: envolve liderança, cultura, desenvolvimento contínuo e criação de ambientes de alta performance. É a prática que mais determina o desempenho organizacional no médio e longo prazo.
A inteligência artificial no atendimento ao cliente ajuda a automatizar demandas simples, analisar histórico de interações, sugerir respostas para atendentes humanos e oferecer suporte mais rápido e personalizado.
É preciso deixar claro, desde o início, que alta performance inclui o comportamento coletivo. Resultados individuais que comprometem a dinâmica do time têm custo organizacional real. Sem mudança de comportamento consistente, a liderança deve priorizar o coletivo — mesmo que isso signifique prescindir de um talento técnico relevante.
Learnability é a capacidade de aprender, desaprender e reaprender com velocidade. Segundo Claudio Fernández-Aráoz, da Egon Zehnder, é hoje um dos indicadores mais preditivos de sucesso profissional, uma vez que o conhecimento técnico tem prazo de validade cada vez mais curto em ambientes de transformação acelerada. Contratar por learnability é contratar pelo potencial futuro, não apenas pelo desempenho passado.
Desenvolvendo curiosidade genuína, tolerância à ambiguidade e cultura de aprendizado rápido — em vez de tentar prever cenários específicos. Times preparados para o futuro são os que sabem operar bem diante do que ainda não existe. O líder que constrói essa capacidade na equipe cria uma vantagem competitiva sustentável.
Escuta profunda, autoconhecimento, metacognição e capacidade de lidar com pessoas. Todas são competências difíceis de avaliar em entrevistas tradicionais, mas decisivas para a performance sustentável. Processos seletivos que incluem avaliação comportamental estruturada — e não apenas entrevistas por competência — identificam essas habilidades com mais precisão.
Gallup. State of the Global Workplace 2023 Report. Gallup, Inc.
Edmondson, Amy C. A Organização Sem Medo: Criando segurança psicológica no local de trabalho para aprendizado, inovação e crescimento. Harvard Business School / Sextante, 2018.
Por Redação
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