Negócios

Neurociência e tomada de decisão: aja com estratégia

Entenda a conexão entre neurociência e tomada de decisão, o papel do cérebro sob pressão, evite vieses cognitivos e lidere com estratégia.

calendar_month 15 de Outubro de 2026 person Olivia Baldissera

O mundo dos negócios demanda ações rápidas. Nem sempre elas ocorrem em condições favoráveis, o que pode gerar desgaste e estresse tanto em equipes quanto em lideranças. É nesse cenário instável que as contribuições da neurociência e tomada de decisão se tornam ferramentas indispensáveis.

Compreender como o cérebro funciona permite evitar armadilhas mentais. Ao driblar vieses e regular as emoções, você consegue direcionar seus esforços para uma escolha mais estratégica. Acredite: quem domina essa área ganha diferenciação competitiva e vai muito mais longe na carreira.

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Como o cérebro toma decisões

Decidir envolve integrar informações sobre as opções disponíveis, recuperar experiências e antecipar consequências. Atenção, memória, aprendizagem e emoções participam desse processo.

Diferentes circuitos cerebrais contribuem para essas funções. O córtex pré-frontal participa de processos como manter informações em mente, organizar ações conforme objetivos e ajustar o comportamento. Outras estruturas também participam da aprendizagem, da identificação de relevância e da avaliação de resultados.

Por isso, explicar uma escolha exige mais do que localizar uma região cerebral. A decisão depende das interações entre processos e das condições em que ocorre.

Como explica o neurocientista e professor referência da Pós PUCPR Digital António Damásio em seu livro Sentir & Saber:

“Há uma profunda distinção, mas não oposição, entre o sentimento e a razão. [...] Passamos pela vida sentindo ou raciocinando, ou ambos, conforme as circunstâncias exijam.”.

De qualquer modo, gostamos de acreditar que somos seres racionais. E isso até é verdade, em ambientes estáveis e controlados.

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Racionalidade vs. impulso: o papel do estresse

Numa situação de relaxamento, a tomada de decisão depende dos sistemas de controle executivo. Uma parte do cérebro que toma a frente é o córtex pré-frontal, responsável também pela memória de trabalho e pela atenção.

Esses sistemas possibilitam o pensamento reflexivo e estratégico. Assim, você compara alternativas e avalia qual seria a mais vantajosa, na intenção de que os benefícios superem os riscos.

Porém, a situação muda se há estresse envolvido. Em momentos de pressão, quando é necessário decidir em pouco tempo e sem ponderar todas as variáveis, a amígdala cerebral ganha protagonismo e enfraquece o funcionamento do córtex pré-frontal. As respostas tornam-se mais emocionais. A reação passa a ser mais instintiva do que deliberativa.

Vieses cognitivos nas decisões sob pressão

Diante de um cenário desconhecido, é natural que você sinta medo, uma das emoções mais primitivas do ser humano. Afinal, seu cérebro não sabe qual caminho seguir.

Por isso, a tendência é buscar soluções mais cômodas. Em vez de definir qual é a melhor estratégia, você escolhe qual é a saída possível dentro daquele contexto.

Ou seja: dificilmente você vai querer se arriscar. É preferível contar com a experiência prévia e tomar decisões baseando-se no que já deu certo anteriormente. São os chamados vieses cognitivos, isto é, atalhos que o cérebro encontra para atingir um resultado.

Um exemplo de viés cognitivo foi identificado por pesquisadores em artigo publicado na Harvard Business Review. Eles perceberam que profissionais vindos de classes mais baixas tinham menos propensão a iniciar negociações. Isso porque, dado seu histórico de privações ou desvantagem econômica, eles possivelmente teriam mais a perder se entrassem em embate com colegas ou com lideranças.

O perigo dos atalhos mentais

Embora úteis para a sobrevivência ancestral, esses atalhos podem ser armadilhas no ambiente corporativo. Eles geram tanto acomodação quanto excesso de confiança e uma falsa sensação de controle que distorce a realidade.

Além disso, o viés cognitivo é o maior inimigo da inovação. Lembre-se: se você faz as coisas da mesma maneira, vai esperar os mesmos resultados. No entanto, o mercado se transforma, exigindo novas abordagens diante dos desafios.

O ambiente atual é de incerteza: inteligência artificial, instabilidade política, crise climática. Ninguém sabe exatamente como será o futuro — só sabemos que será diferente. Então, entender como o cérebro funciona pode ser determinante para se comportar de maneira estratégica diante do que vem por aí.

A neurociência já trouxe avanços para a educação e a tecnologia. É natural que ela traga contribuições para os negócios, também.

Neurociência e tomada de decisões estratégicas

Embora não seja possível eliminar as reações instintivas do corpo, é totalmente viável mudar a forma como lidamos com elas. Afinal, as emoções ainda poderão aflorar, quando você passar por situações de estresse e pressa. Mas a diferença estará na maneira de lidar com elas.

Líderes com uma pós-graduação em neurociência não só têm conhecimento para entender o funcionamento do cérebro, como desenvolvem ferramentas para tomar decisões estratégicas mesmo em momentos de pressão. Trata-se de gerenciar a própria mente.

Algumas abordagens incluem:

  • Utilizar fontes de dados confiáveis para embasar as decisões;
  • Diversificar os pontos de vista, ouvindo a opinião de colaboradores e especialistas de diferentes setores;
  • Promover momentos de pausa e exercícios de respiração consciente/mindfulness que contribuam para reduzir o estresse;
  • Realizar exercícios como o pré-mortem (imaginar, antes mesmo de pôr em prática, que o projeto fracassou e indagar os motivos para isso);
  • Reconhecer sinais de impulsividade ou de aversão à opinião alheia, pois demonstram algum viés cognitivo;
  • Revisar erros e acertos para refletir sobre o que pode melhorar nas próximas decisões.

Longe de ser uma “receita de bolo”, essas práticas contribuem para um aperfeiçoamento contínuo das rotinas no mundo do trabalho. O importante é conhecê-las e testá-las no dia a dia, garantindo que você faça escolhas melhores, independentemente das adversidades.

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Fontes

Sobre o autor

Olivia Baldissera