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Empatia e cooperação: conheça a comunicação não violenta

A comunicação não violenta abrange a comunicação verbal e não verbal para criar e fortalecer conexões humanas, por meio da empatia e da compaixão.

calendar_month 24 de Abril de 2025 person Mariana Bortoletti

Criada com inspiração em líderes como Martin Luther King Jr. e Gandhi, a comunicação não violenta é uma forma de estabelecer conexões através da empatia e da compaixão.

Na década de 1960, o psicólogo norte-americano Marshall Rosenberg sistematizou a abordagem da comunicação não violenta observando a resistência não violenta a cenários de violência.

Nascido em 1934 e de origem judaica, Marshall sempre teve interesse em como ter uma postura defensiva sem ser violento, o que culminou na criação da comunicação não violenta.

O psicólogo sempre quis criar uma cultura de paz . Por isso, construiu essa ferramenta que é utilizada em ONGs, mediação de conflitos, escolas e no mundo corporativo.

Neste artigo, vamos conversar sobre o que é a comunicação não violenta, no que ela se baseia e como você pode dominá-la.

O que é a comunicação não violenta?

A comunicação não violenta é uma habilidade institucionalizada pelo psicólogo Marshall Rosenberg na década de 1960, nos EUA.

Ela abrange a comunicação verbal e não verbal e busca criar e fortalecer as conexões humanas através da empatia e da compaixão.

A comunicação não violenta, como apresentada pelo autor em seu livro , funciona de maneira que uma pessoa interaja com a outra de forma pensada.

Nesse sentido, não apenas respondendo e perguntando, mas realmente ouvindo o que o outro está dizendo, e falando de maneira respeitosa.

Um dos principais objetivos da comunicação não violenta é explicarmos como estamos nos sentindo para que o outro possa rever a maneira como fala conosco. E vice-versa.

Pode parecer que se comunicar de forma não violenta passa por ficar calado diante de ofensas e agressões, mas não é essa a intenção.

A habilidade se sustenta na ideia de transparência e honestidade, mas abomina a ofensa e a acusação.

Para que a comunicação não violenta fique mais tangível, vamos dar um exemplo com uma fala hipotética entre um casal:

"Nas últimas vezes que falamos sobre não deixar louça acumular na pia, vi que você se alterou e pareceu irritado. Falar sobre isso me deixa chateada porque eu estou cansada. Por isso, eu ficaria feliz se você lavasse o que usou."

Na conversa acima, a parceira está deixando claro seus motivos para que seu parceiro contribua para não deixar a louça acumular.

Perceba que ela expressou reconhecimento do sentimento do outro, mas também fez com que ele entendesse os sentimentos dela e suas necessidades. Além disso, ela finalizou com um pedido.

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Os 4 componentes da comunicação não violenta

Na frase que apresentamos acima, você consegue perceber alguns elementos-chave, como o reconhecimento de sentimentos, um pedido, uma necessidade e uma expressão de sentimentos.

Esses elementos são o que formam a comunicação não violenta, são os 4 componentes determinados por Marshall Rosenberg.

A essência da comunicação não violenta está nesses 4 componentes.

Eles não são apenas utilizados para formar frases, mas são um modelo de raciocínio a se seguir para que a comunicação não violenta seja efetiva.

Veja quais são os quatro componentes e como eles funcionam:

1. Observação (O que realmente aconteceu?)

O primeiro componente faz referência ao ato de ouvir. Você precisa, nesse caso, entender o contexto em que está inserido. Ou seja, como o outro está se sentindo. Tendo essa informação, você consegue fazer com que a mensagem seja entendida com mais facilidade e com menor rejeição.

2. Sentimento (Quais sentimentos surgem?)

Outro componente essencial é o sentimento, que aqui se manifesta como uma expressão daquilo que você sente ao falar. É preciso ter autoconhecimento e fazer uma boa indagação para si próprio. Para ser efetivo, você precisa dizer o que realmente sente, não o que acha que sente.

3. Necessidade (O que preciso neste momento?)

O terceiro elemento é algo que você precisa demonstrar, uma necessidade ligada ao sentimento e que fará com que o seu ouvinte compreenda. Nesse caso, você também precisa trabalhar o autoconhecimento para entender do que necessita.

4. Pedido

O último componente é o pedido, ou seja, a sua argumentação. É preciso entender que o pedido precisa estar alinhado com o que foi observado e expressado e que seja dito de maneira clara e positiva. É preciso tomar cuidado com a maneira com que você expressa esse pedido para que a outra pessoa não o entenda como uma exigência, isso apenas atrapalharia o processo.

À luz dessas explicações, que tal analisarmos novamente o exemplo dado acima para vermos como os componentes foram utilizados? Confira:

"Nas últimas vezes que falamos sobre não deixar louça acumular na pia, vi que você se alterou e pareceu irritado (observação). Falar sobre isso me deixa chateada (sentimento) porque eu estou cansada (necessidade). Por isso, eu ficaria feliz se você lavasse o que usou (pedido)."

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Por que a comunicação não violenta é valorizada no mercado de trabalho?

Dentro de uma organização, a comunicação não violenta se transforma em uma ferramenta poderosa capaz de transformar a cultura.

Um dos maiores desafios do mercado de trabalho é manter diálogos abertos e promover relações de parcerias e, nisso, a comunicação não violenta pode ajudar.

Ela pode ajudar a mediar conflitos , melhorar o clima organizacional e, também, a abrir espaço para o diálogo.

Assim trazendo como resultado um aumento de produtividade e engajamento.

Como praticar a comunicação não violenta

Agora que você entendeu o que é a comunicação não violenta e qual é a importância dela para o mercado de trabalho, vamos entender como praticá-la .

E o primeiro lugar em que precisamos aplicar a comunicação não violenta é dentro de nós mesmos.

É preciso estar disposto a rever a maneira como nos comunicamos e estarmos dispostos e nos sentir um pouco mais vulneráveis ao expressar nossos sentimentos.

O autoconhecimento é necessário para entender o que estamos sentindo, mas também para ter coragem de expressar esses sentimentos sem vergonha.

Além disso, também é preciso aprender a reconhecer sensações desconfortáveis e validá-las.

É comum que os sentimentos negativos sejam sempre vistos como maus, mas eles podem estar acusando outros desconfortos que podem ser resolvidos no diálogo.

Por isso, procure entender o que está sentindo e por que está sentindo. Dessa forma, é mais fácil encontrar, e resolver, a fonte desse sentimento.

Uma dica importante também é separar qualquer pré-julgamento da realidade.

Quando julgamos algo ou alguém, nós colocamos nossos preceitos em cima dessa situação ou pessoa, podendo transformar completamente a realidade.

Nesse cenário, nós tomamos decisões precipitadas que podem dificultar a nossa percepção e empatia .

Então, procure sempre observar a realidade através dos fatos.

Usar este princípio não é uma tarefa fácil porque depende de boa vontade, disposição e de autoconhecimento.

Porém, é uma maneira efetiva de melhorar as relações que desenvolvemos no dia a dia e de melhorar a si próprio.

A comunicação não violenta é um exercício diário de aprendizado de si e dos outros.

Sobre o autor

Mariana Bortoletti