Quando você encontra um amigo que não vê há muito tempo e ele te pergunta “como vai a vida?”, o que você responde?
Esse tipo de encontro muitas vezes nos leva a refletir sobre o que temos feito no âmbito profissional e pessoal. Será que estou no trabalho certo? Para onde minha carreira está indo? Ela tem sentido para mim? É hora de mudar?
O Life Design foi criado para ajudar as pessoas a lidarem com essas questões e a criar uma vida que faça sentido para elas, independentemente da idade.
O Life Design é um modelo de aconselhamento que se utiliza dos métodos do design thinking para lidar com dúvidas e decisões relacionadas à vida de uma pessoa, o que inclui a escolha do curso de Ensino Superior, a carreira, as ambições pessoais e o propósito de vida.
É uma intervenção que estimula a reflexão sobre as narrativas que construímos para nossas vidas. Quem somos? O que já fizemos até aqui? E por que fizemos isso? O que gostaríamos de fazer?
Para isso, é preciso percorrer 4 estágios principais:
O objetivo é ajudar as pessoas a construírem uma vida que faça sentido para ela, que respeite suas crenças e sua identidade.
O Life Design parte da premissa de que a carreira é algo fluido, que não determina o que faremos pelo resto de nossas vidas nem é a única coisa que dá sentido à existência de um indivíduo. Essa afirmação se torna ainda mais importante no mundo cada vez mais acelerado em que vivemos, onde profissões deixam de existir e novas surgem em poucos anos.
O modelo é indicado tanto para adolescentes que estão indecisos sobre a graduação quanto para profissionais já estabelecidos, mas que por opção ou necessidade passam por uma transição de carreira.
Existem duas grandes áreas que estudam o Life Design e têm conceitos e métodos diferentes. A primeira é a Psicologia, com as pesquisas de Mark Savickas da década de 1990. A segunda é o Design, com os trabalhos desenvolvidos pelos professores da Universidade de Stanford Bill Burnett e Dave Evans.
Em 2016, eles escreveram o livro “Designing your life: how to build a well-livved, joyful life”, que no Brasil foi traduzido para “ O design da sua vida ” (Editora Rocco, 2017).
Este guia que você está lendo trata da proposta de Life Design desenvolvida por Burnett e Evans. Caso você queira conhecer a proposta da Psicologia, recomendamos a leitura deste artigo (em inglês).
No livro, Bill Burnett e Dave Evans orientam que, antes de aplicar as técnicas de Life Design, é preciso pensar como um designer.
Para isso, toda pessoa precisa praticar 5 mindsets:
>>> Leia também: O que é inteligência espiritual e por que ela é tão importante para sua carreira
Além da Universidade de Stanford, outras instituições de Ensino Superior dos Estados Unidos e da Europa têm utilizado o modelo do Life Design como parte da orientação dos estudantes.
Uma delas é a Universidade de St. Gallen, na Suíça. Os pesquisadores do laboratório de Life Design da instituição elencaram 8 princípios que guiam as ações de life designers , ou seja, de pessoas que seguem o design thinking em suas carreiras e objetivos pessoais:
Life designers...
Existem expectativas de vida e de carreira que criamos com o passar dos anos, mas que poucas vezes condizem com a realidade. Elas acabam atrasando processos de mudança de carreira ou de conquista de ambições pessoais.
Essas expectativas são chamadas por Bill Burnett e Dave Evans de “crenças disfuncionais”. Para lidar com elas, os autores propõem reformular as afirmações de acordo com o que a vida real mostra.
As principais crenças disfuncionais apontadas pelos professores de Stanford no livro “Designing your life” são:
“O meu diploma de graduação determina a minha carreira”
“Se eu for bem-sucedido no trabalho, eu serei feliz”
“É muito tarde para eu mudar de carreira”
“Eu preciso saber qual é a minha paixão”
>>> Leia também: Modelo de plano de carreira: qual o melhor para meus objetivos?
O método do Life Design mais utilizado é o modelo Life Loops. Ele reúne 8 estágios que vão te ajudar no processo de repensar a sua carreira e o seu propósito:
Os quatro primeiros estágios ajudam a descobrir o que está por trás dos desafios e nossos desejados. Os últimos são ferramentas para colocar ideias iniciais em prática, aprender com elas e, assim, seguir para um próximo loop.
O símbolo do infinito representa o método pois o Life Design é um processo que não termina, ou seja, devemos sempre refletir sobre o que fazemos e experimentar coisas novas.
Adaptação do modelo Life Loops da Universidade de St. Gallen
- Descoberta: fazer uma autorreflexão e identificar nossas insatisfações.
- Definição: ter novas ideias e imaginar cenários para solucionar essas insatisfações.
- Desenvolvimento: escolher uma das ideias e planejar os seus próximos passos.
- Teste: experimentar suas ideias e recursos no mundo real.
- Curiosidade
- Tentar coisas novas
- Reformular problemas
- Entender que a vida é um processo
- Pedir ajuda quando necessário
- São curiosos e apreciativos em vez de céticos e críticos.
- Pensam de forma diferenciada em vez de “é isso ou é aquilo”.
- Tomam decisões baseadas em experiências em vez de suposições.
- Planejam com baixo risco em vez de fazerem um grande drama.
- Criam novas realidades por meio de protótipos em vez de permanecerem apenas pensando.
- Querem aprender a partir da experiência em vez de serem corrigidos.
- Tem um pensamento em forma de “loop” para seguirem em frente em vez de pensarem em medidas definitivas.
- Montam um time construtivo em vez de trabalharem sozinhos.
Reformule para: “Três quartos de todas as pessoas com diploma de Ensino Superior não constroem uma carreira na mesma área em que se formaram. E não há problema algum nisso.”.
Reformule para: “Preciso ter uma vida que faça sentido para mim para ser bem-sucedido.".
Reformule para: “Nunca é tarde para eu criar uma vida que eu ame.”.
Reformule para: “Preciso experimentar coisas novas para descobrir o que eu gosto e desenvolver uma paixão.”.
Sobre o autor
Olivia Baldissera