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Horas depois de a Suprema Corte dos Estados Unidos decidir, por 6 votos a 3, que o presidente Donald Trump excedeu sua autoridade ao impor tarifas globais com base em uma lei reservada para emergências nacionais, Trump anunciou, uma nova alíquota global de 15% no dia 21 de fevereiro.
Desta vez, Trump usou como fundamento a Seção 122 da Lei de Comércio americana de 1974, que permite ao presidente taxar importações de todos os países em até 15% por um período de 150 dias, sem aprovação do Congresso.
Mas o tarifaço de Trump, que começou em abril de 2025, não é inédito na história americana. Os Estados Unidos têm um longo registro de uso de tarifas como instrumento ativo de política externa para pressionar aliados, punir adversários e garantir vantagens estratégicas.
A seguir, conheça alguns episódios da história do século 20 em que os EUA usaram as tarifas como arma política e as consequências deste tipo de estratégia na geopolítica.
Os 5 episódios descritos abaixo mostram como as guerras tarifárias dos Estados Unidos têm impactos até hoje. Confira:

O primeiro grande exemplo moderno foi o Smoot-Hawley Tariff Act, sancionado pelo presidente Herbert Hoover em junho de 1930, em plena Grande Depressão.
A lei, originalmente pensada para proteger agricultores americanos da concorrência estrangeira, foi ampliada para abranger uma gama extensa de produtos industriais e agrícolas, elevando tarifas em cerca de 20%.
A resposta internacional foi imediata: países como Canadá, França e Espanha impuseram tarifas retaliatórias sobre produtos americanos.
O resultado foi catastrófico: as exportações americanas despencaram 61% até 1933. A lei é citada até hoje por economistas como um fator que agravou a crise econômica.
A lição foi amarga o suficiente para moldar décadas de política comercial. Em 1934, o presidente Franklin Roosevelt assinou a Lei de Acordos Comerciais Recíprocos, buscando reverter os efeitos do Smoot-Hawley por meio de acordos bilaterais. Entre 1934 e 1939, a administração Roosevelt fechou acordos com 19 países.
Nas décadas seguintes, os EUA continuaram recorrendo às tarifas quando interesses estratégicos estavam em jogo.
Após a Segunda Guerra Mundial, os EUA ampliaram a produção industrial de frango, reduzindo o preço do produto. A Europa passou a importar o frango americano em grande escala, até que, em 1962, a Comunidade Econômica Europeia (CEE, precursora da União Europeia) decidiu proteger seus agricultores e aumentou as tarifas sobre o frango americano.
As exportações globais de frango dos EUA caíram cerca de 30% entre 1962 e 1963. Em resposta, o presidente Lyndon B. Johnson impôs em 1963 tarifas retaliatórias sobre uma série de produtos europeus, entre eles o item mais emblemático: caminhonetes leves, taxadas em 25%.
Essa alíquota, conhecida como "chicken tax", nunca foi revogada e permanece vigente até hoje, moldando as estratégias de montadoras asiáticas que constroem fábricas nos EUA para contorná-la.
Em 1987, foi a vez do Japão. O presidente Ronald Reagan impôs tarifas de 100% sobre 300 milhões de dólares em importações japonesas, com foco em automóveis, após Tóquio descumprir os termos de um acordo de 1986 sobre semicondutores.
Desta vez, o Japão optou por não retaliar. O ministro do comércio japonês afirmou que seu país havia decidido, por uma perspectiva mais ampla, não tomar medidas retaliatórias. A decisão não poupou a economia japonesa, que viu o iene se desvalorizar e as exportações encolherem, entrando em uma recessão que durou de meados dos anos 1990 até 2002.
Na mesma época, uma guerra comercial completamente diferente se desenhava em torno de bananas. Em 1993, a recém-criada União Europeia impôs tarifas sobre bananas provenientes da América Latina para favorecer pequenos produtores em suas ex-colônias caribenhas e africanas.
Os EUA se opuseram veementemente, pois a maioria das plantações latino-americanas pertencia a empresas americanas. Washington abriu oito processos separados na Organização Mundial do Comércio (OMC). A organização decidiu sistematicamente a favor dos EUA.
Em retaliação às resistências europeias, os EUA chegaram a impor tarifas de 100% sobre produtos europeus como cashmere escocês e queijo francês. A disputa só foi encerrada formalmente em 2012, com um acordo multilateral que incluiu Brasil, Colômbia, Costa Rica, Equador e outros países.
Em 2002, o presidente norte-americano George W. Bush impôs tarifas de 8% a 30% sobre o aço importado de vários países (com exceção de México e Canadá) para proteger a indústria siderúrgica americana.
A Europa respondeu com ameaças de tarifas sobre produtos americanos avaliados em 2,2 bilhões de dólares, incluindo laranjas da Flórida e motocicletas Harley-Davidson.
Bush recuou poucos dias antes de as retaliações entrarem em vigor e retirou as tarifas em 2003.
Historicamente, as guerras tarifárias produzem um conjunto de consequências que recaem sobre populações e cadeias produtivas. No caso americano, os efeitos internos têm sido consistentemente diferentes do que a retórica protecionista promete.
Tarifas funcionam, na prática, como um imposto sobre bens importados. Esse custo recai predominantemente sobre as empresas e consumidores americanos, não sobre os países exportadores.
No mercado de trabalho, o efeito também costuma ser ambíguo. O caso clássico é o do aço: embora tarifas sobre o aço importado preservem postos de trabalho na siderurgia americana, estudos demonstram que esse ganho é mais do que anulado pela perda de empregos em setores que usam o aço como insumo, como a indústria automotiva, de máquinas e construção civil.
Para os países exportadores, os efeitos são igualmente significativos. Economias altamente dependentes das exportações para os EUA ficam expostas a quedas abruptas de receita e ameaças a postos de trabalho em regiões inteiras.
Além disso, quando tarifas são usadas como instrumento de coerção geopolítica para punir países por escolhas diplomáticas ou alinhamentos internacionais, o comércio global se torna mais imprevisível e a autoridade de organismos multilaterais como a OMC é progressivamente corroída.
A nova tarifa de 15% anunciada por Donald Trump enfrenta um cenário de incerteza considerável.
A Seção 122 da Lei de Comércio de 1974 tem um escopo mais limitado que a International Emergency Economic Powers Act (IEEPA), pois não pode ser declarada por emergência nacional e tem prazo máximo de 150 dias. Isso pode restringir o alcance e a durabilidade da medida. Além disso, analistas estimam que a nova alíquota geraria cerca de 56% da receita que as tarifas anteriores produziam.
Há também a questão dos bilhões de dólares já arrecadados com as tarifas anteriores: se os tribunais determinarem que esses recursos precisam ser reembolsados, o impacto fiscal sobre o governo americano pode ser significativo.
Trump declarou que não discutiu essa possibilidade. Simultaneamente, o presidente sinalizou que buscará novas bases legais para retomar a política tarifária mais ampla nos próximos meses.
Diante desse quadro, o padrão histórico oferece algumas pistas, mas não certezas. Países afetados podem buscar diversificar seus mercados de exportação e negociar acordos bilaterais para reduzir a dependência do mercado americano. É o que a Índia tem feito com a União Europeia e com os Emirados Árabes Unidos.
Parceiros comerciais como a União Europeia podem optar por retaliações direcionadas ou por aprofundar acordos alternativos entre si. A OMC, por sua vez, enfrenta o desafio de manter sua relevância diante de uma potência que sistematicamente busca contorná-la.
O que a história das guerras tarifárias americanas deixa claro é que os desfechos raramente são simples. E os custos, quando chega a conta, costumam ser distribuídos de forma ampla e muitas vezes inesperada.
Historicamente, as tarifas dos EUA têm sido usadas para influenciar negociações internacionais, punir adversários comerciais e defender interesses estratégicos. Em muitos casos, elas funcionam como ferramenta de pressão geopolítica.
Nem sempre. Embora possam beneficiar setores específicos no curto prazo, estudos mostram que as tarifas dos EUA frequentemente aumentam custos para empresas e consumidores e podem reduzir empregos em cadeias produtivas dependentes de importações.
Entre os casos mais relevantes estão o Smoot-Hawley Tariff Act (1930), a chamada chicken tax (1963), as tarifas contra o Japão (1987) e as tarifas sobre o aço importado (2002). Esses episódios mostram o uso recorrente da medida ao longo das décadas.
Normalmente, parceiros comerciais respondem com tarifas retaliatórias, abertura de disputas na OMC ou diversificação de mercados. Essas reações podem intensificar guerras comerciais e aumentar a instabilidade global.
O cenário indica continuidade da incerteza comercial. Dependendo das decisões políticas e judiciais, as tarifas dos EUA podem seguir como instrumento de política externa, com impactos relevantes para o comércio global.
💡 Quer saber mais sobre a história das tarifas dos EUA? Confira as fontes consultadas para este artigo:
*Conteúdo feito com apoio de IA.
Por Redação
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