As consequências da intervenção dos EUA na Venezuela

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Olivia Baldissera • 27 de janeiro de 2026

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    A captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em uma operação militar americana no dia 3 de janeiro marca um ponto de inflexão na geopolítica global.

    Durante a masterclass Venezuela X EUA muda o tabuleiro geopolítico, realizada no em 15 de janeiro, o Professor HOC analisou como essa ação redefine as esferas de influência mundial e o que isso significa para o futuro das relações internacionais.

    Principais insights da masterclass: 

    • A atuação dos EUA na Venezuela deve ser entendida como um movimento geopolítico estratégico, não como uma disputa centrada apenas no petróleo.
    • O cenário atual indica um mundo multipolar mais instável, em que esferas de influência não garantem equilíbrio nem redução de conflitos.
    • A América do Sul, em especial o Brasil, ocupa uma posição estratégica inédita, com oportunidades e riscos ampliados no novo tabuleiro geopolítico.

    Entenda as consequências mundiais da intervenção dos EUA na Venezuela a seguir, de acordo com o Professor HOC, cientista político, dono do maior canal do YouTube sobre geopolítica do Brasil e professor do curso Dinâmica Global: Geopolítica, Gestão de Riscos e Novas Oportunidades da Pós PUCPR Digital

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    Intervenção dos EUA na Venezuela reforça mundo multipolar 

    Segundo a análise do Professor HOC, a ação de Trump na Venezuela reforça a tese de que o mundo está sendo dividido em três esferas de influência: americana, russa e chinesa. No entanto, o professor alerta que essa divisão não representa um cenário de paz e estabilidade.

    Há uma leitura equivocada de que, uma vez definidas as esferas americana, russa e chinesa, os territórios estariam “resolvidos” e cada potência respeitaria seus limites. “Esse mundo multipolar não é um mundo de paz”, afirmou o professor. Mesmo dentro de uma esfera de influência, haverá disputas, resistências e batalhas — nem sempre militares, mas sempre estratégicas.

    Existem pelo menos três grandes molduras que costumam ser usadas para explicar o cenário global: o mundo unipolar, o mundo bipolar e o mundo multipolar.

    Na leitura unipolar, os Estados Unidos atuariam como a única superpotência, definindo regras e exercendo um papel estabilizador. Já a leitura bipolar remete à lógica da Guerra Fria, com duas potências centrais disputando hegemonia. A terceira interpretação, mais difundida atualmente, é a das esferas de influência, em que Estados Unidos, China e Rússia disputariam zonas de poder em um mundo multipolar. 

    HOC explica que, diferentemente do mundo unipolar (mais estável) ou do bipolar da Guerra Fria, o mundo multipolar é caracterizado por maior instabilidade, incerteza e insegurança. 

    No entanto, nenhuma dessas leituras, isoladamente, dá conta da complexidade atual. O professor propõe uma abordagem mais híbrida, em que o mundo pode ser unipolar em algumas dimensões, multipolar em outras e até “apolar” em certos temas transnacionais.

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    Estratégia de cerco de Trump enfraquece rivais indiretamente 

    Na visão do Professor HOC, embora Trump sinalize não querer confronto direto com China e Rússia, suas ações representam um movimento estratégico de cerco e melhor posicionamento no tabuleiro geopolítico.

    A ação na Venezuela, segundo o professor, enfraquece simultaneamente o eixo das ditaduras e tira o país da esfera de influência chinesa. Movimento semelhante acontece no Irã, que passa por protestos em massa contra o regime do aiatolá Ali Khamenei desde dezembro de 2025.

    Esse movimento, segundo o professor, não significa que os Estados Unidos tenham abandonado a lógica de influência global. Ao contrário, trata-se de um reposicionamento cauteloso, em que o confronto direto é evitado, mas a pressão indireta é mantida.

    Um ponto crucial destacado pelo professor é que nem a Rússia nem a China foram ajudar a Venezuela ou o Irã, demonstrando os limites dessas esferas de influência. Enquanto isso, os Estados Unidos continuam apoiando a Ucrânia, ainda que através da Europa.

    Intervenção dos EUA na Venezuela não visa apenas petróleo 

    Na análise do Professor HOC, a intervenção na Venezuela não se trata principalmente de petróleo. A verdadeira motivação é geopolítica: influência regional, petrodólar, fornecimento de petróleo para a China e, principalmente, a presença de rivais estratégicos no continente americano.

    HOC também trouxe uma outra perspectiva sobre o papel do petróleo na geopolítica contemporânea. Para ele, a situação mudou radicalmente nas últimas décadas. "Se a gente falasse há 15, 20 anos que ia ter um ataque a uma nação que produz petróleo, o preço do barril iria explodir. Hoje, a geopolítica mostra que o mercado reage de formas diferentes", observou. 

    Ele atribui essa mudança à revolução do xisto nos Estados Unidos, que transformou o país no maior produtor de petróleo do mundo. A tecnologia, segundo o professor, é um elemento fundamental da geopolítica que alterou completamente a relação com a geografia do petróleo.

    Dúvidas sobre o Direito Internacional após ação dos EUA na Venezuela

    Segundo o Professor HOC, o Direito Internacional funciona melhor em mundos unipolares, quando uma superpotência exerce papel estabilizador. "O Direito Internacional não funciona muito bem quando o mundo está tumultuado, porque cada um vai defender os seus interesses", explicou.

    Ele citou a invasão do Iraque ao Kuwait como exemplo de quando o direito internacional funcionou efetivamente, em um momento do mundo unipolar. Hoje, HOC observa que o direito internacional está sendo "rasgado por completo", não apenas pelos Estados Unidos, mas por diversos países menores que fazem o que querem, de Ruanda atacando o Congo ao Azerbaijão na Armênia.

    O impacto da intervenção dos EUA na Venezuela para a América do Sul 

    A leitura apresentada pelo professor HOC também amplia o foco para a América do Sul. Segundo ele, o atual cenário global cria uma janela de oportunidade inédita para a região. Estados Unidos, China e União Europeia passaram a olhar simultaneamente para o continente, o que desloca o centro de gravidade da geopolítica. 

    Nesse contexto, o Brasil ocupa uma posição estratégica singular. “É uma oportunidade única para o Brasil se projetar”, afirmou. No entanto, HOC alerta que isso requer extrema habilidade diplomática e que, junto com as oportunidades, vêm riscos significativos. Ele menciona as sanções e tarifas dos Estados Unidos ao Brasil como exemplos dos desafios que podem surgir.

    Para o cientista político, o Brasil precisa desenvolver habilidade para equilibrar China e Estados Unidos, mantendo relações com a Europa. 

    Conclusão: geopolítica como ferramenta de leitura do mundo 

    Ao encerrar a masterclass, o Professor HOC reforçou que entender movimentos como a atuação dos Estados Unidos na Venezuela exige método, teoria e capacidade de análise. Não se trata de aderir a narrativas simplificadas, mas de observar sinais, contradições e interesses em jogo.

    Se você deseja desenvolver uma compreensão mais profunda desses temas e se preparar para as oportunidades e desafios que surgem nesse novo contexto global, conheça o curso Dinâmica Global: Geopolítica, Gestão de Riscos e Novas Oportunidades da Pós PUCPR Digital

    Perguntas frequentes sobre a intervenção dos EUA na Venezuela 

    O que motivou a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela?

    Segundo o Professor HOC, a intervenção dos EUA na Venezuela é um movimento geopolítico estratégico que vai além da disputa por petróleo, envolvendo influência regional e reposicionamento global.

    A intervenção dos EUA na Venezuela tem relação direta com o petróleo?

    Embora o petróleo seja um fator importante, a intervenção tem motivações geopolíticas mais amplas, como influência regional e contenção de rivais, e não apenas interesses energéticos.

    Qual é o maior comprador de petróleo da Venezuela?

    Atualmente, a China é o maior comprador do petróleo venezuelano, recebendo a maior parte das exportações do país, apesar das mudanças recentes no controle das vendas de petróleo.

    O que Nicolás Maduro fez na Venezuela?

    Nicolás Maduro foi presidente da Venezuela desde 2013, sucessor de Hugo Chávez. Seu governo é marcado por controle estatal da economia, políticas sociais inspiradas no chavismo, crise econômica profunda e acusações de corrupção e violações de direitos humanos. A crise interna e embates com potências externas contribuíram para tensões diplomáticas e sanções internacionais.

    Qual a relação do Brasil com a Venezuela?

    A relação entre Brasil e Venezuela tem sido complexa e, por vezes, tensa. Historicamente houve cooperação comercial e diplomática, mas divergências políticas e preocupações com eleições e transparência eleitoral impactaram a relação. O Brasil tem adotado postura cautelosa, defendendo diálogo, mas também criticando violações ao Estado de direito na Venezuela. 

    Como a ação dos EUA na Venezuela reforça o mundo multipolar?

    A intervenção destaca um mundo em que Estados Unidos, China e Rússia disputam influência global, consolidando um cenário multipolar com competição constante em várias regiões do planeta. De acordo com o Professor HOC, um mundo multipolar tende a ser mais instável que o unipolar ou bipolar, pois promove disputas indiretas e pressões estratégicas entre potências. 

    Por que entender geopolítica é essencial no contexto atual?

    Com dinâmicas globais complexas, compreender a geopolítica é crucial para interpretar movimentos internacionais, antecipar riscos e identificar oportunidades em contextos de incerteza. 


    Para quem deseja desenvolver uma leitura estratégica do cenário internacional, recomendamos o curso Dinâmica Global: Geopolítica, Gestão de Riscos e Novas Oportunidades. 

    Por Redação

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