Guerra entre Irã e Israel: o que aconteceu nos últimos dias?

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit

Olivia Baldissera • 24 de junho de 2025

Acompanhe

    [BLOG] Dynamic Author

    O ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã no dia 28 de fevereiro de 2026 iniciou uma escalada de conflitos em todo o Oriente Médio. 


    As peças do tabuleiro global passaram a se movimentar mais rápido e prometem, a qualquer momento, colocar em xeque a ordem mundial.

    Key takeaways deste artigo 

    • Antes da Revolução Iraniana de 1979, os dois países mantinham relações diplomáticas, cooperação econômica e parceria estratégica no Oriente Médio. 
    • Com a ascensão do aiatolá Khomeini, o Irã rompeu relações com Israel e passou a adotar um discurso político e religioso de oposição ao Estado israelense. 
    • A disputa envolve programa nuclear iraniano, ações militares encobertas e confrontos indiretos em países como Síria, Líbano, Iraque e Iêmen.

    Para você não perder os movimentos mais importantes deste jogo que vai redefinir a dinâmica global, este artigo traz uma linha do tempo dos principais acontecimentos da Guerra entre Irã e Israel, além de um histórico dos conflitos entre os dois países.

    An advertisement for a masterclass with professor hoc

    Linha do tempo: Guerra entre Irã, EUA e Israel (2026)

    28 de fevereiro de 2026

    • Início dos ataques aéreos de EUA e Israel às 3h35 da manhã, no horário de Brasília. Foram atingidos Teerã, Isfahan e outras cidades. 
    • São confirmadas as mortes do Líder Supremo Ali Khamenei, do ministro da Defesa Aziz Nasirzadeh e dos comandantes da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã. 
    • Irã retaliou com mísseis balísticos contra Israel e destruiu bases americanas em Barém, Jordânia, Iraque e Golfo Pérsico. 

    1º de março de 2026

    • Novos bombardeios dos EUA e de Israel destroem tribunais revolucionários, sedes de segurança interna e defesas aéreas em Teerã 
    • Irã lança mais mísseis contra Arábia Saudita, Emirados e Israel, atingindo uma sinagoga em Beit Shemesh. Há danos em refinarias e petroleiros no Ormuz. 

    2 de março de 2026

    • EUA e Israel atacam a instalação nuclear Natanz, hospitais associados ao regime em Teerã e alvos do Hezbollah no Líbano. 
    • Irã responde com ataques de drones a bases americanas no Iraque, Chipre e Golfo. São feitos ataques a instalações de GNL no Catar e à embaixada dos EUA no Kuwait. 

    3 de março de 2026

    • Bombardeios atingem as cidades iranianas de Isfahan, Kermanshah e Shiraz. Forças israelenses destroem sítio nuclear secreto. 
    • Irã ameaça cidades do Golfo, lança drones massivos na cidade iraquiana Erbil e proíbe exportações de alimentos. 
    • Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, é eleito novo Líder Supremo após indicação da IRGC. Sua nomeação éconsiderada inconstitucional, pois a Constituição iraniana exige experiência política para o cargo. Além disso, a tradição xiita rejeita sucessões hereditárias para a liderança suprema. 
    Advertisement for a postgraduate course at PUCPR:

    Linha do tempo: Guerra dos 12 Dias (2025)

    O conflito entre Irã, Israel e Estados Unidos é visto por muitos analistas como uma continuação da Guerra dos 12 Dias, que começou com um ataque surpresa de Tel Aviv a Teerã no dia 13 de junho de 2025. 


    Veja abaixo os principais acontecimentos da Guerra dos 12 Dias: 

    13 de junho de 2025

    • Na madrugada, Israel realizou um ataque aéreo de grande escala com 200 caças, lançando mais de 330 tipos diferentes de armamentos e atingindo mais de 100 alvos no território iraniano. A operação teve como foco lideranças militares iranianas e cientistas ligados ao programa nuclear do país. 
    • A instalação nuclear de Natanz, principal centro de enriquecimento de urânio do Irã, foi atingida no ataque, mas a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou que não houve alteração nos níveis de radiação. 
    • Como retaliação, o Irã lançou mais de 100 drones em direção a Israel. 
    • O governo israelense decretou estado de emergência, determinando o fechamento de escolas, a suspensão de atividades com aglomerações e a recomendação para que apenas serviços essenciais funcionem. 

    14 de junho de 2025

    • Israel intensificou sua ofensiva com uma nova série de ataques aéreos, atingindo 150 alvos em diferentes regiões do Irã. 
    • Durante os confrontos, os Estados Unidos atuaram diretamente na defesa de Israel, interceptando parte dos mísseis e drones lançados pelo Irã. Em reação, o governo iraniano alertou que poderá atacar interesses dos EUA, Reino Unido e França no Oriente Médio caso esses países interfiram em sua capacidade de resposta. 
    • Na noite do mesmo dia, o Irã lançou uma ofensiva maciça de mísseis contra Israel, atingindo alvos militares em várias áreas, incluindo Jerusalém e Tel Aviv — além de causar danos em edifícios residenciais. 

    15 de junho de 2025

    • Israel declarou ter bombardeado o prédio do Ministério da Defesa do Irã, localizado em Teerã. 
    • Os Houthis, grupo aliado do Irã com base no Iêmen, disseram ter lançado múltiplos mísseis balísticos contra a região central de Israel, incluindo a cidade de Jaffa, em ação coordenada com Teerã. Em reação, Israel voltou a atacar a capital iraniana, atingindo áreas centrais e instalações militares. 
    • Fontes americanas revelaram que o presidente dos EUA, Donald Trump, bloqueou um plano israelense que visava a assassinar o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei. Após essa última ofensiva israelense, o governo iraniano confirmou a morte do chefe e do vice-chefe de inteligência da Guarda Revolucionária. 

    16 de junho de 2025

    • Israel declarou ter destruído cerca de um terço dos lançadores de mísseis iranianos e afirmou estar no controle do espaço aéreo sobre o Irã. 
    • As Forças de Defesa de Israel detectaram novos mísseis lançados do Irã em direção ao norte do país e instruíram a população local a buscar abrigo. 
    • Diante da escalada do conflito, o presidente dos EUA, Donald Trump, recomendou a retirada de todos da capital iraniana, Teerã. Trump interrompeu sua participação na cúpula do G7, no Canadá, para retornar aos Estados Unidos e coordenar a resposta à crise no Oriente Médio, solicitando uma reunião urgente com o Conselho de Segurança Nacional. 

    17 de junho de 2025

    • Irã solicitou aos governos de Omã, Catar e Arábia Saudita que pressionem os EUA a convencer Israel a aceitar um cessar-fogo imediato. 
    • O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que Teerã precisava ser evacuada imediatamente. Ele também afirmou que nem os EUA nem Israel têm planos de assassinar o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. 
    • Líderes do G7, grupo que reúne algumas das maiores economias do mundo, emitiram uma declaração pedindo a desaceleração do conflito. O documento também tem como destaque o direito de defesa de Israel e o perigo do Irã ter uma arma nuclear. 
    • O exército de Israel anunciou a morte do principal comandante militar do Irã, Ali Shadmani, em um bombardeio durante a madrugada. O governo iraniano não confirmou a informação. 
    • A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que atacou o QG do Mossad, a agência secreta de Israel, e um complexo de Inteligência militar na capital Tel Aviv. O governo israelense não confirmou a informação. 

    18 de junho de 2025

    • A Agência Internacional de Energia Atômica da ONU (AIEA) confirmou que duas fábricas que produzem centrífugas para enriquecimento de urânio foram atingidas no Irã por ataques aéreos israelenses. A AIEA alertou para risco de vazamento radioativo em caso de novos ataques. 
    • Regime iraniano acusou a Meta de espionagem em favor de Israel. O governo pediu para que a população excluísse o WhatsApp dos celulares. Representantes da Meta disseram que se trata de uma informação falsa. 
    • Após sinais de que os EUA poderiam entrar no conflito, Ali Khamenei afirmou que o país não vai se render e disse que qualquer ataque americano ao Irã terá “consequências sérias e irreparáveis”. 

    19 de junho de 2025

    • O jornal The Wall Street Journal informou que Trump já aprovou um plano de ataque contra o Irã, mas ainda não tomou uma decisão final sobre o assunto. 
    • O hospital de Soroka, o principal do sul de Israel, foi atingido por um míssil lançado pelo Irã. 71 pessoas foram feridas. O Irã afirmou que o ataque tinha como alvo instalações militares próximas ao hospital. 
    • Comunicado oficial da Casa Branca informou que Donald Trump vai decidir sobre o envolvimento direto dos EUA no conflito nas próximas duas semanas. 

    20 de junho de 2025

    • O chanceler do Irã, Abbas Araqchi, se reuniu com os ministros das Relações Exteriores do Reino Unido, França e Alemanha para buscar uma solução diplomática para o conflito com Israel. As negociações não avançaram. 
    • Em declaração à imprensa, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, informou que os ataques ao Irã passarão a ter como foco os “símbolos do regime” do aiatolá Ali Khamenei, com o objetivo de desestabilizá-lo. 
    • Houve protestos contra Israel em Teerã. Manifestantes seguravam retratos dos comandantes iranianos mortos desde o início do conflito e gritavam frases de apoio aos líderes do país. 
    • Mísseis iranianos atingiram um prédio do governo israelense em Haifa, cidade portuária no norte de Israel. Também houve bombardeios a Tel Aviv e Jerusalém. Ao menos 17 pessoas ficaram feridas. 
    • O presidente russo Vladimir Putin disse estar preocupado de que mundo esteja caminhando para a 3ª Guerra Mundial, durante um fórum econômico em São Petersburgo. 
    • Durante reunião do Conselho de Segurança da ONU, o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, alertou para uma possível catástrofe nuclear caso a usina de Bushehr, no Irã, fosse atacada. 

    21 de junho de 2025

    • O chefe da Guarda Revolucionária do Irã, Behnam Shahriyari, e outros dois comandantes das forças iranianas foram mortos em um ataque aéreo de Israel. 
    • O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que os europeus podem acelerar as negociações com o Irã, desde que seja comprovado que o programa nuclear iraniano é estritamente pacífico. 
    • Os Estados Unidos bombardearam três instalações nucleares iranianas. Entre elas estava a de Fordow, construída no interior de uma montanha para estar protegida de ataques aéreos. 

    22 de junho de 2025

    • Com a entrada dos EUA no conflito, o regime iraniano declarou que qualquer cidadão americano ou militar se tornou um alvo. 
    • Em pronunciamento na Casa Branca, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que os ataques tiveram como objetivo destruir a capacidade nuclear iraniana e fazer com que o país se rendesse. 
    • Horas mais tarde, em coletiva de imprensa, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, disse que o ataque dos EUA obliterou as ambições nucleares do Irã. 
    • O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, apoiou a decisão dos EUA de bombardear o Irã e disse que a ação representou um avanço rumo à paz por meio da força. 
    • Em coletiva de imprensa, o chanceler do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que os ataques dos EUA violaram o direito internacional e que o governo iraniano convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU. Araqchi também anunciou um encontro com Vladimir Putin. 
    • O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, acusou os EUA de estarem por trás das ofensivas israelenses no Oriente Médio. 
    • Israel anunciou o fechamento do espaço aéreo do país por tempo indeterminado. 
    • O parlamento iraniano aprovou o fechamento do Estreito de Ormuz, via marítima que concentra a comercialização de 20% de todo o petróleo do mundo. A medida pode provocar a disparada no preço do barril de petróleo. 

    23 de junho de 2025

    • Israel atacou a prisão de Evin, a instalação nuclear fortificada de Fordow e um quartel da Guarda Revolucionária iraniana em Teerã. A prisão de Evin é conhecida por encarcerar presos políticos, ativistas, jornalistas, intelectuais e dissidentes do regime. 
    • A AIEA pediu acesso às instalações nucleares iranianas bombardeadas pelos EUA para avaliar os danos e verificar se há risco de vazamento radioativo. 
    • O Irã atacou a base militar americana Al Udeid no Catar em resposta aos bombardeios. Não houve feridos. O governo iraniano informou os EUA e o Catar sobre o ataque com duas horas de antecedência. 
    • Donald Trump anunciou que Irã e Israel concordaram com um cessar-fogo completo. No entanto, horas depois, os dois países trocaram ataques. 

    24 de junho de 2025

    • O cessar-fogo anunciado por Trump entrou em vigor. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e a imprensa iraniana confirmaram que os países haviam aceitado a trégua no conflito. 
    • Os governos iraniano e israelense acusaram os rivais de terem violado o acordo e ordenaram retaliações mútuas. Os bombardeios mataram ao menos 4 pessoas em Israel e 9 no Irã. 
    • Na cúpula da Otan, o secretário-geral da entidade, Mark Rutte, disse que os EUA não feriram nenhuma lei internacional no ataque a instalações nucleares iranianas, ocorrido no dia 21 de junho. 
    • Representantes das Forças Armadas israelenses indicaram que não voltariam a atacar o Irã, alegando que voltariam o foco para a Faixa de Gaza. 
    • Em pronunciamento oficial, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país conquistou uma "grande vitória" sobre Israel e os Estados Unidos. 
    • Israel também se intitulou como vitorioso do conflito. Benjamin Netanyahu declarou em comunicado oficial que o país alcançou uma "vitória histórica" após 12 dias de conflito, mas que ainda precisa concluir sua campanha contra o “eixo do Irã”. 
    • Segundo o jornal The New York Times, que teve acesso a um relatório preliminar da inteligência americana, o ataque dos EUA contra o Irã atrasou o programa nuclear do país em alguns meses. 
    • O BRICS emitiu uma declaração conjunta com uma condenação aos bombardeios contra o Irã iniciados no dia 13 de junho. Para o bloco, a ofensiva representa uma violação do direito internacional e da Carta das Nações Unidas. 

    25 de junho de 2025

    • O Parlamento iraniano aprovou a suspensão da cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão de supervisão nuclear da ONU, até que a segurança das atividades nucleares do país esteja garantida. Os parlamentares acusam a AIEA de não ter condenado o ataque dos EUA contra instalações nucleares do Irã. 
    • O chefe da AIEA, Rafael Grossi, afirmou que a agência tem como prioridade o retorno de inspetores às instalações nucleares iranianas, com o objetivo de avaliar o impacto dos ataques americanos e israelenses e de verificar os estoques de urânio enriquecido do país. 
    • Em entrevista para a Al Jazeera, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que as instalações nucleares do país foram "gravemente danificadas" pelos ataques de Israel e dos EUA. 
    • Na cúpula da Otan, Trump negou as conclusões do relatório divulgado pelo The New York Times e disse que o ataque dos EUA atrasou em muitos anos o desenvolvimento de armas nucleares no Irã. 

    Guerras entre Irã e Israel: quando começou a rivalidade entre os dois países? 

    A rivalidade entre Irã e Israel não nasceu de um dia para o outro. Ela foi construída ao longo de décadas, ganhando corpo após a Guerra dos Seis Dias de 1967 e atingindo seu ponto de ruptura definitivo com a Revolução Iraniana de 1979. 

    No entanto, antes de se tornarem inimigos declarados, os dois países foram aliados estratégicos e os iranianos chegaram a apoiar a criação do Estado judeu no pós-guerra. O Irã, aliás, foi o segundo país de maioria muçulmana a reconhecer o Estado de Israel, logo após a Turquia, no início de 1950. 

    No plano diplomático, Teerã demonstrou ambivalência em relação à partilha da Palestina. Em 1947, votou contra o Plano de Partilha da ONU que criaria dois Estados (um judeu e outro árabe palestino), mas fez isso depois de ter recomendado publicamente "a independência da Palestina como Estado federal que compreendesse, em sua estrutura interna, um Estado árabe e um Estado judeu", segundo documentos das Nações Unidas. O argumento apresentado foi que uma federação criaria condições para que árabes e judeus trabalhassem juntos. 

    A aproximação se aprofundou nos anos seguintes, impulsionada por interesses econômicos e geopolíticos convergentes. A partir de 1955, o Irã passou a vender petróleo a Israel a preços reduzidos, num momento em que estados árabes se recusavam a fazê-lo. 

    Após a Guerra dos Seis Dias de 1967, que bloqueou o Canal de Suez, os dois países estabeleceram juntos o oleoduto Eilat-Ashkelon, ligando o Mar Vermelho ao Mediterrâneo. O arranjo beneficiava os dois lados: Israel resolvia seu problema energético, e o Irã ampliava dramaticamente suas receitas ao acessar os mercados europeus. 

    A cooperação ia além do petróleo. Nas décadas de 1960 e 1970, o Xá Mohammad Reza Pahlavi encorajou a presença de assessores, instrutores e contratados israelenses no Irã em áreas que iam de segurança militar a projetos de engenharia, apoio agrícola e gestão de recursos hídricos. Chegou a funcionar uma escola de língua hebraica em Teerã para filhos de funcionários israelenses. Voos regulares conectavam Tel Aviv e a capital iraniana. 

    A Revolução Iraniana marca o início do conflito entre Irã e Israel 

    Em 1979, tudo mudou. A Revolução Islâmica, liderada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini após 14 anos de exílio, derrubou o Xá e instaurou uma república teocrática que redefiniria completamente o mapa de alianças do Oriente Médio. 

    A hostilidade a Israel não foi uma consequência acidental da revolução, mas um de seus pilares fundadores. Nas décadas anteriores, Khomeini havia construído meticulosamente um discurso no qual os laços do Xá com Israel e os Estados Unidos eram apresentados como uma ameaça existencial ao Islã e à soberania iraniana. 

    Já em 1963, quando o Xá lançou a Revolução Branca, um conjunto de reformas modernizantes com apoio americano, Khomeini denunciou as mudanças como uma submissão ao imperialismo ocidental e ao sionismo. 

    Do exílio, Khomeini continuou a alimentar esse discurso, enquanto conquistava legitimidade crescente junto ao povo iraniano. Nos seus sermões e proclamações, Israel era descrito como um agente do imperialismo americano, uma potência ilegítima que ocupava terras islâmicas e controlava os corredores do poder em Washington. 

    Com a revolução vitoriosa, Teerã cortou todos os laços formais com Israel em questão de semanas. A embaixada israelense foi entregue à Organização para a Libertação da Palestina. Os passaportes israelenses deixaram de ser reconhecidos. 

    Qual o motivo da guerra entre Israel e Irã? 

    O motivo da guerra entre Israel e Irã pode ser analisado a partir da ótica da teoria da dissuasão. Após o fim da Guerra Fria e a derrota de Saddam Hussein em 1991, eliminaram-se os dois grandes fatores que haviam mantido algum interesse estratégico compartilhado entre Israel e Irã. A partir daí, Israel passou a ver o programa nuclear iraniano como uma ameaça existencial. 

    A preocupação israelense se intensificou a partir de 2011, quando relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) expressou "sérias preocupações" sobre possíveis dimensões militares do programa nuclear iraniano. 

    Israel respondeu com uma combinação de ataques encobertos às instalações nucleares iranianas e pressão intensa sobre os Estados Unidos para adotar uma postura mais dura, o que culminou na retirada americana do acordo nuclear (JCPOA) em 2018, sob o governo Trump. 

    Apesar de toda essa pressão, o Irã demonstrou determinação inabalável em avançar seu programa. A estratégia de dissuasão israelense não conseguiu reverter os ganhos iranianos na região. 

    Guerra entre Irã e Israel vai além das fronteiras 

    A história da relação entre Irã e Israel é também a história de como as disputas bilaterais podem incendiar regiões inteiras. A rivalidade entre os dois países tornou-se uma das principais fontes de instabilidade no Oriente Médio, com efeitos que se espalham por Líbano, Síria, Iraque, Iêmen e Gaza. 

    O Irã construiu ao longo das décadas o que analistas chamam de "eixo da resistência": uma rede de organizações aliadas que acumula um arsenal estimado em mais de 150 mil foguetes e mísseis capazes de atingir todo o território israelense. 

    Israel, por sua vez, conduz há anos a chamada "Campanha Entre Guerras", com mais de cem ataques aéreos contra alvos iranianos ou pró-iranianos na Síria apenas entre 2012 e 2017, buscando impedir o estabelecimento de bases militares iranianas em seu entorno. 

    Os países vizinhos pagam o preço dessa rivalidade. A Síria foi devastada por uma guerra civil na qual o envolvimento iraniano e israelense foi determinante. O Líbano, já fragilizado, tornou-se refém do jogo entre Teerã e Tel Aviv. O Iêmen está em um conflito no qual as tensões regionais alimentadas pela disputa entre as duas potências encontraram terreno fértil. 

    Enquanto nenhum dos dois lados demonstrar disposição genuína para solucionar conflitos pelas vias diplomáticas, o Oriente Médio continuará a viver sob a sombra de um conflito que, embora comece em Teerã e Tel Aviv, nunca fica confinado entre elas. 

    Perguntas frequentes sobre a Guerra entre Irã e Israel 

    Quando começou a rivalidade entre Irã e Israel?

    A rivalidade entre Irã e Israel se consolidou após a Revolução Iraniana de 1979. Antes disso, os dois países mantinham relações diplomáticas e cooperação estratégica. Com a queda do Xá e a ascensão do regime liderado pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, o novo governo iraniano rompeu relações com Israel e passou a tratá-lo como um adversário central. 

    Irã e Israel sempre foram inimigos?

    Não. Durante as décadas de 1950, 1960 e 1970, Irã e Israel mantiveram uma relação de cooperação política, econômica e militar. O Irã chegou a fornecer petróleo a Israel e colaborou em projetos estratégicos, como o oleoduto Eilat-Ashkelon. A hostilidade só se consolidou após a Revolução Islâmica de 1979. 

    Qual é o principal motivo da guerra entre Irã e Israel?

    O principal fator da tensão entre Irã e Israel é a percepção israelense de que o programa nuclear iraniano representa uma ameaça existencial. Israel teme que o Irã desenvolva armas nucleares e amplie sua influência militar na região, enquanto Teerã acusa Israel de agir como aliado estratégico dos Estados Unidos no Oriente Médio. 

    Em quais países a guerra entre Irã e Israel se manifesta?

    A rivalidade entre Irã e Israel influencia conflitos em vários países da região, especialmente Síria, Líbano, Iraque, Gaza e Iêmen. Nesses locais, grupos aliados de um ou outro lado atuam militarmente, ampliando o alcance da disputa regional. 

    O que é o “eixo da resistência” liderado pelo Irã?

    O chamado “eixo da resistência” é uma rede de organizações e grupos aliados do Irã no Oriente Médio. Essa rede inclui forças políticas e militares que se opõem à influência de Israel e dos Estados Unidos na região. 

    A guerra entre Irã e Israel pode se tornar um conflito regional maior?

    Analistas consideram essa possibilidade real, porque a rivalidade entre Irã e Israel envolve alianças regionais, disputas militares indiretas e interesses estratégicos de diversas potências. Por isso, o conflito é frequentemente apontado como um dos principais fatores de instabilidade no Oriente Médio. 

    💡 Quer saber mais sobre as guerras entre Irã e Israel? Confira as fontes consultadas para este artigo: 


    *Conteúdo feito com o apoio de IA.

    Por Redação

    Gostou deste conteúdo? Compartilhe com seus amigos!

    A purple and pink poster that says curadoria de conteudo exclusivos sobre saúde mental

     

    Assine a  News  da Pós para ficar por dentro das  novidades


    Receba conteúdos sobre:


    • tendências de mercado
    • formas de escalar sua carreira
    • cursos para se manter competitivo.


    Quero receber

    Conteúdo Relacionado

    Anúncio para smartphone: Cérebro feito de comida, texto