

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit
Acompanhe
A forma como as pessoas lidam com seus pensamentos, emoções e sensações internas têm um impacto direto sobre suas escolhas, comportamentos e qualidade de vida.
Em muitos momentos, o sofrimento psicológico não está apenas relacionado ao que acontece externamente, mas à maneira como o indivíduo responde às próprias experiências internas. Nesse contexto, o conceito de flexibilidade psicológica ocupa um lugar central na compreensão da saúde mental contemporânea.
Para ilustrar essa ideia, imagine uma pessoa que deixa de aceitar um convite para realizar uma apresentação importante no trabalho porque pensa: “Se eu ficar ansioso, vou passar vergonha”. Embora reconheça que essa oportunidade é relevante para sua carreira, ela opta por evitar a situação com o objetivo de não entrar em contato com o desconforto emocional.
No curto prazo, essa decisão pode trazer alívio, pois reduz a ansiedade imediata. No entanto, ao longo do tempo, esse padrão tende a gerar frustração, arrependimento e a sensação de estar constantemente abrindo mão do que é importante.
Situações como essa ajudam a compreender o que a psicologia denomina de flexibilidade psicológica, conceito proposto por Steven C. Hayes no contexto da Terapia de Aceitação e Compromisso (Acceptance and Commitment Therapy – ACT).
A flexibilidade psicológica refere-se à capacidade de estar presente e consciente das próprias experiências internas, pensamentos, emoções e sensações físicas e, ainda assim, escolher agir de acordo com valores pessoais. Trata-se de um modo de funcionamento que não exige a eliminação do sofrimento, mas uma mudança na forma de se relacionar com ele.
Ser flexível psicologicamente não significa não sentir medo, ansiedade ou tristeza. Ao contrário, envolve reconhecer que essas experiências fazem parte da condição humana e podem ser vivenciadas sem que determinem automaticamente o comportamento. Uma pessoa com flexibilidade psicológica compreende que pensamentos são produtos da mente, e não verdades absolutas que precisam ser obedecidas. Dessa forma, mesmo diante do desconforto emocional, ela consegue se engajar em ações que a aproximam de objetivos e valores significativos, como crescimento profissional, aprendizado, autonomia ou conexão com outras pessoas.
No extremo oposto desse funcionamento está a inflexibilidade psicológica. Esse padrão é caracterizado por comportamentos rígidos, guiados principalmente pela tentativa de evitar experiências internas desagradáveis. Nesses casos, pensamentos e emoções passam a ser tratados como sinais de perigo ou como verdades literais, levando a decisões automáticas de esquiva.
A inflexibilidade psicológica envolve processos como a evitação de emoções desagradáveis, a dificuldade de se distanciar dos próprios pensamentos, a perda de contato com valores pessoais e a tendência a agir de forma repetitiva, mesmo quando isso produz sofrimento.
Com o tempo, esse modo de funcionamento tende a intensificar o sofrimento psicológico, contribuindo para problemas como ansiedade, depressão e estresse. Quando o comportamento é constantemente orientado pela tentativa de evitar desconforto, a vida do indivíduo pode se tornar cada vez mais restrita. Compreender a diferença entre flexibilidade e inflexibilidade psicológica permite reconhecer como a relação com as experiências internas influencia diretamente as escolhas e os rumos da vida cotidiana.
Desenvolver flexibilidade psicológica é importante justamente porque essa habilidade não é um traço fixo, mas um repertório comportamental que pode ser fortalecido. Na ACT, a flexibilidade psicológica é compreendida como o resultado da interação de seis processos centrais de mudança, conhecidos como hexaflex. Esses processos ampliam a forma como a pessoa se relaciona com pensamentos, emoções e ações, favorecendo respostas mais adaptativas diante das demandas da vida.
O primeiro desses processos é a aceitação, que envolve disposição para entrar em contato com emoções, pensamentos e sensações desagradáveis sem tentar evitá-los ou controlá-los excessivamente. A aceitação não implica resignação, mas a redução da luta constante contra experiências internas inevitáveis.
Associada a esse processo está a desfusão cognitiva, que permite à pessoa perceber pensamentos como eventos mentais transitórios, e não como verdades absolutas que precisam ser seguidas. Juntos, aceitação e desfusão reduzem o impacto da linguagem sobre o comportamento e enfraquecem respostas automáticas que frequentemente intensificam o sofrimento.
Outro processo central é o self-como-contexto, que favorece a capacidade de observar a própria experiência interna a partir de uma perspectiva mais ampla. Em vez de se definir rigidamente por pensamentos, emoções ou rótulos pessoais, a pessoa passa a se reconhecer como o contexto no qual essas experiências ocorrem. Esse distanciamento funcional amplia a liberdade comportamental e facilita uma relação mais flexível com a própria história.
A atenção ao momento presente também ocupa um papel fundamental na flexibilidade psicológica. Esse processo envolve a capacidade de estar em contato com o aqui e agora, reduzindo o funcionamento automático baseado em ruminações sobre o passado ou preocupações excessivas com o futuro. Ao ampliar a consciência do momento presente, o indivíduo se torna mais sensível ao contexto atual e mais capaz de responder de forma ajustada às situações.
Valores ajudam a identificar o que é significativo para a pessoa, funcionando como orientadores de escolhas e ações. Os processos de valores e ação comprometida dão direção ao comportamento.
A ação comprometida, por sua vez, envolve a construção de comportamentos consistentes com essas direções, mesmo quando isso implica entrar em contato com emoções desagradáveis. É essa articulação que permite que o indivíduo viva de forma mais coerente com aquilo que considera importante, apesar das dificuldades inevitáveis.
Na ausência ou fragilização desses processos, tende a emergir a inflexibilidade psicológica, marcada por esquiva experiencial, fusão cognitiva e afastamento de direções valorizadas. Estudos indicam que esse padrão está associado a maior sofrimento psicológico, o que reforça a importância de fortalecer os processos centrais da flexibilidade psicológica para promover adaptação, saúde mental e qualidade de vida.

O desenvolvimento da flexibilidade psicológica ocorre, na prática clínica, por meio de estratégias específicas da ACT. Inicialmente, o terapeuta auxilia o cliente a identificar padrões de comportamento que geram sofrimento, por meio da análise funcional, discriminando a relação entre contextos, respostas e consequências. A partir disso, promove-se uma nova forma de se relacionar com pensamentos e emoções, fortalecendo a aceitação, a desfusão e o self-como-contexto.
Outro passo fundamental é o desenvolvimento da atenção flexível ao momento presente, que reduz ruminações sobre o passado e preocupações excessivas com o futuro. Por fim, a flexibilidade psicológica se consolida por meio da clarificação de valores e da ação comprometida, tornando comportamentos alinhados a essas direções mais prováveis, mesmo diante do desconforto emocional. Assim, os seis processos atuam de forma integrada, ampliando a liberdade comportamental e favorecendo um funcionamento psicológico mais adaptativo.
É importante destacar que, embora os conceitos de flexibilidade psicológica possam ser discutidos em contextos educativos e informativos, a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) é uma abordagem psicoterápica. Sua aplicação clínica é exclusiva de psicólogos devidamente formados e com registro ativo no Conselho Regional de Psicologia (CRP), conforme as normativas que regulam o exercício profissional da Psicologia.
Dessa forma, a ACT não deve ser confundida com técnicas de autoajuda ou intervenções informais, sendo fundamental o acompanhamento profissional qualificado quando se trata de tratamento psicológico.
Flexibilidade psicológica é a capacidade de estar presente com pensamentos, emoções e sensações internas (mesmo quando são desconfortáveis) e, ainda assim, agir de acordo com seus valores. Em vez de tentar eliminar o sofrimento, a pessoa aprende a mudar sua relação com ele para viver com mais autonomia e direção.
A flexibilidade psicológica está diretamente ligada à saúde mental porque ajuda o indivíduo a responder de forma mais adaptativa às dificuldades internas, como ansiedade, medo ou tristeza. Quando a pessoa consegue acolher o desconforto sem se guiar apenas por ele, tende a ter mais qualidade de vida, bem-estar e coerência nas escolhas.
Inflexibilidade psicológica é um padrão de funcionamento marcado por rigidez comportamental, geralmente guiado pela tentativa de evitar emoções desagradáveis. Nesse padrão, pensamentos são tratados como verdades absolutas (“se eu sentir ansiedade, vai dar errado”) e a pessoa tende a agir de forma repetitiva, mesmo quando isso aumenta o sofrimento.
Não. Aceitação, na flexibilidade psicológica, não é resignação. É parar de lutar contra experiências internas inevitáveis e usar energia para escolher ações com sentido. Isso permite mudar o que é possível mudar no mundo externo, sem ficar preso à tentativa constante de controlar o que acontece dentro.
O conceito de flexibilidade psicológica foi proposto por Steven C. Hayes, no contexto da ACT (Terapia de Aceitação e Compromisso). A ideia central é que o sofrimento não vem apenas do que acontece, mas da forma como a pessoa se relaciona com suas experiências internas.
O hexaflex é um modelo que descreve seis processos centrais que fortalecem a flexibilidade psicológica:
Eles atuam de forma integrada para ampliar a liberdade de escolha e o funcionamento adaptativo.
Sim. Flexibilidade psicológica não é um traço fixo de personalidade, mas um repertório que pode ser fortalecido ao longo do tempo. Com treino e acompanhamento adequado, é possível reduzir padrões rígidos e ampliar escolhas mais coerentes com valores.
💡Quer saber mais sobre flexibilidade psicológica? Confira as fontes consultadas para este artigo:
Por Redação
Gostou deste conteúdo? Compartilhe com seus amigos!
Assine a News da Pós para ficar por dentro das novidades
Receba conteúdos sobre:
Formulário enviado com sucesso!

