Simone Bervig: “Não basta adotar a IA, será necessária a transformação com IA”

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Olivia Baldissera • 13 de abril de 2026

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    [BLOG] Dynamic Author

    Imagine investir em inteligência artificial sem conectar nenhum projeto à estratégia do negócio. Parece absurdo, mas é exatamente o que acontece em 95% das iniciativas de IA generativa nas empresas, segundo o MIT.

    Foi com esse dado impactante que Simone Bervig abriu seu talk no dia 8 de abril, durante a Semana de Comunicação e Marketing da Pós PUCPR Digital , deixando no ar uma provocação que atravessou toda a sua apresentação: o maior obstáculo da inteligência artificial não é tecnológico, é de liderança.

    Bervig é CMO da MakeOne, colunista da MIT Tech Review e professora da Escola de IA da Pós PUCPR Digital. Ela trouxe para o debate uma visão que equilibra rigor analítico e visão estratégica, focando na revolução que a IA agêntica está promovendo no marketing.

    Key takeaways

    • Diferente da IA generativa, a IA agêntica executa tarefas de forma autônoma, tomando decisões e conduzindo fluxos completos, do diagnóstico à ação, sem intervenção humana.
    • Com o avanço da IA agêntica, marcas precisam ir além de palavras-chave. É essencial explorar técnicas de GEO, construir autoridade semântica e produzir conteúdos estruturados para serem recomendados por sistemas de IA.
    • A performance sustentável depende da combinação entre automação inteligente, análise de dados e visão estratégica humana, garantindo decisões mais precisas, éticas e orientadas a resultado.

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    Confira a seguir as principais ideias apresentadas por Simone Bervig durante a Semana de Comunicação e Marketing da Pós PUCPR Digital.

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    IA agêntica e a redefinição do que uma máquina pode fazer

    Para entender onde estamos, Simone Bervig propôs um mapa. Existem quatro tipos de inteligência artificial que o profissional de marketing precisa conhecer:

    1. Analítica , que olha para o passado e identifica padrões;
    2. Preditiva , que antecipa o que é provável que aconteça;
    3. Generativa , que cria conteúdo a partir de instruções em linguagem natural;
    4. IA agêntica , que age de forma autônoma para alcançar um objetivo específico.

    "A IA agêntica não apenas responde a um prompt, mas planeja, toma decisões sequenciais, com autonomia e tarefas encadeadas, sem nenhuma intervenção humana", explicou Bervig.

    É esse último tipo que está mudando as regras do jogo em velocidade exponencial. Enquanto a IA generativa ainda depende de um humano formulando perguntas, a IA agêntica executa fluxos completos de ponta a ponta, do diagnóstico à ação, de forma independente.

    No contexto do marketing, isso significa agentes que não apenas sugerem campanhas, mas as orquestram, segmentam públicos, ajustam criativos e monitoram resultados sem parar.

    Bervig alertou, no entanto, para as três principais armadilhas que sabotam projetos de IA nas empresas:

    1. Tecnocentrismo: começar pela ferramenta antes de entender o problema;
    2. Isolamento departamental: tratar IA como projeto de área, não da empresa;
    3. Déficit de letramento digital: ter a ferramenta, mas não saber integrá-la ao ecossistema de negócios.

    Como a IA agêntica mudou o funil de vendas que conhecemos

    Um dos momentos mais provocadores da palestra foi quando Simone Bervig declarou o fim do funil de marketing como o conhecemos.

    A lógica linear de atração, consideração e conversão está sendo substituída por uma jornada do consumidor radicalmente diferente: mais fragmentada, mais exigente e mediada por inteligência artificial.

    "E se a sua marca deixasse de ser encontrada? Não por falta de tráfego, não por falta de boas campanhas, mas por não ser relevante para a IA?", questionou a palestrante.

    A professora da Pós PUCPR Digital apresentou a transição do SEO (Search Engine Optimization) para o GEO (Generative Engine Optimization) como uma das mudanças mais críticas para qualquer estratégia de conteúdo.

    No modelo antigo, bastava aparecer bem-posicionado nos mecanismos de busca. No novo modelo, a marca precisa ser indicada pela IA. Isso exige não apenas palavras-chave, mas autoridade semântica, dados confiáveis e conteúdo estruturado que os modelos de linguagem consigam compreender e recomendar.

    Os números apresentados por Bervig reforçam a urgência: 19% dos consumidores já usam IA como intermediária em suas decisões de compra, número que pode dobrar ainda em 2026. Ao mesmo tempo, seis a cada dez brasileiros já tomam decisões influenciadas por recomendações de IA.

    Para as marcas que ainda não adaptaram sua comunicação a essa nova lógica, o risco é se tornar invisível.

    Combinação entre IA agêntica e fator humano

    Com toda a potência da IA agêntica em cena, Simone Bervig foi cuidadosa ao endereçar a questão que mais preocupa profissionais de marketing e comunicação: até onde vai a máquina e onde começa o humano?

    "Nem automação absoluta, nem intuição pura. A excelência nasce dessa combinação: a IA acelera e revela padrões; os humanos interpretam o contexto e o impacto; e a ética define os limites", orientou.

    Para ela, o modelo híbrido é a estratégia vencedora. A IA agêntica pode executar tarefas operacionais de ponta a ponta com autonomia, mas o profissional humano é insubstituível na curadoria de conteúdo, na orquestração de plataformas, na definição da estratégia de marca e na leitura de nuances sociais e culturais que os algoritmos ainda não alcançam.

    A professora da Pós PUCPR Digital foi enfática ao lembrar que, paradoxalmente, quanto mais IA permeia as relações entre marcas e consumidores, mais o branding ganha importância. "Nunca se falou tanto em brand e rebranding", disse ela, alertando para o risco de escalar campanhas com IA sem fortalecer a identidade da marca.

    O cuidado com a privacidade e os vieses algorítmicos também foi destacado. Estima-se que 43% das marcas já perderam a confiança do consumidor por uso indevido de dados, e 43% dos usuários ainda não se sentem confortáveis com o uso de IA.

    Escalar sem ética, portanto, é um modelo de negócios insustentável.

    Continuar a aprender é fundamental

    Ao longo de toda a sua apresentação, Simone Bervig enfatizou que a IA, incluindo sua forma mais autônoma, a IA agêntica, já está transformando o marketing de forma irreversível.

    Mas a tecnologia, por si só, não garante resultado. O que garante é a combinação entre dados confiáveis, estratégia clara, letramento digital das equipes e, fundamentalmente, humanização da mensagem.

    A frase com que a palestrante encerrou sua participação resume bem o espírito do momento que o mercado vive:

    "Sejam curiosos, estudem, perguntem, troquem ideias. A gente nunca viveu tanto uma fase em que precisamos conversar e trocar experiências. Espero ter deixado uma semente de provocação para aprender mais sobre o universo da IA.".

    Em um cenário onde 65% dos CMOs esperam que a IA mude tudo em dois anos, mas apenas 32% acreditam que precisam mudar alguma coisa, a mensagem de Bervig soa menos como inspiração e mais como alerta.

    O futuro não espera. E a diferença entre liderar e ser substituído pode estar, justamente, na disposição de aprender.

    Perguntas frequentes sobre IA agêntica

    O que é uma IA agêntica?

    A IA agêntica é um tipo de inteligência artificial capaz de agir de forma autônoma para atingir objetivos específicos. Diferente de modelos tradicionais, ela não apenas responde a comandos, mas planeja, toma decisões e executa tarefas sequenciais sem intervenção humana. 

    Como funciona uma IA agêntica?

    A IA agêntica funciona por meio de agentes que interpretam objetivos, analisam dados, definem etapas e executam ações de ponta a ponta. Esses sistemas combinam aprendizado de máquina, processamento de linguagem natural e automação para operar de forma contínua e adaptativa. 

    Qual a diferença entre IA agêntica e IA generativa?

    Enquanto a IA generativa cria conteúdos a partir de comandos humanos, a IA agêntica vai além: ela executa processos completos de forma autônoma, conectando múltiplas tarefas e decisões em sequência. 

    Como a IA agêntica impacta o marketing?

    A IA agêntica transforma o marketing ao automatizar campanhas, segmentar públicos, ajustar estratégias em tempo real e otimizar resultados continuamente, aumentando a eficiência e a personalização. 

    O que muda com a IA agêntica no SEO e no GEO?

    Com a IA agêntica, o foco deixa de ser apenas ranquear no Google (SEO) e passa a ser recomendado por sistemas de IA (GEO). Isso exige conteúdo estruturado, confiável e com forte autoridade semântica. 

    A IA agêntica substitui profissionais de marketing?

    Não. A IA agêntica potencializa o trabalho humano, automatizando tarefas operacionais, enquanto profissionais continuam responsáveis por estratégia, contexto, criatividade e decisões éticas. 

    *Conteúdo feito com o apoio de IA.

    Por Redação

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