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Negócios e Gestão

Metodologias ágeis, empreendedorismo e inovação: conheça a Lean Startup

Por Olívia Baldissera   | 

Acabando de completar uma década de existência, a metodologia Lean Startup já é bastante conhecida (e utilizada) por empreendedores brasileiros. 

Uma pesquisa com empresários mostrou que 93% dos respondentes conheciam o método e o utilizaram como inspiração para os modelos de negócio. Dois terços dos participantes adotavam como principal métrica uma das apresentadas no livro “The Lean Startup” (2011), de Eric Ries, e 45% das startups que participaram da pesquisa utilizavam um Produto Mínimo Viável (PMV) para fazer testes com clientes. 

O questionário tinha como objetivo entender como tem sido o desempenho da metodologia Lean Startup no Brasil. Foram ouvidos 115 empreendedores de startups de todo o Brasil, entre eles vencedores do concurso “Startup Brasil” – iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação – e finalistas do concurso DEMO Brasil 2014. 

A pesquisa foi conduzida em 2019 e publicada no periódico “Cadernos de Gestão e Empreendedorismo”, da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Se você sonha em empreender, precisa fazer parte do grupo que conhece e coloca em prática a metodologia Lean Startup.  

Aqui você vai encontrar um resumo do conceito e dos princípios detalhados no livro “The Lean Startup” para começar seus estudos sobre esse método inovador.

Confira:  

  1. O que é uma Lean Startup  
    1.1 A origem da Lean Startup  
    1.2 O movimento Lean  
  2. Os 5 princípios da Lean Startup  
  3. O ciclo da Lean Startup
  4. Exemplos de Lean startups
  5. Como aplicar a metodologia Lean Startup

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O que é Lean Startup

Lean Startup (“startup enxuta, em português) é uma metodologia utilizada por empreendedores para desenvolver ou aprimorar produtos e serviços, por meio da combinação da Cultura Ágil, do Design Thinking, do Lean Manufacturing e do Customer Development.

A metodologia considera que todo problema e solução, ou seja, as necessidades do cliente e o produto, são desconhecidos. Eles serão descobertos por meio de um processo iterativo. 

Hipóteses sobre produto e mercado precisam ser testadas e validadas de forma rápida e barata, sem abrir mão da qualidade. De acordo com os fundamentos da Lean Startup, isso aumenta as chances de sucesso. 

Na prática, isso significa diminuir a duração do ciclo de desenvolvimento de um produto, fazer experimentações de forma rápida e evitar desperdícios – de recursos e de tempo. O objetivo da Lean Startup é lançar no mercado um produto de qualidade no menor tempo possível, aperfeiçoando-o à medida que os clientes dão feedbacks. 

Podemos resumir os processos da Lean Startup em um tripé: 

  1. Customer development: teste e validação das hipóteses com os clientes para encontrar um alinhamento entre produto e mercado;
  2. Desenvolvimento ágil: uso de metodologias ágeis para viabilizar a iteração de desenvolvimento de acordo com a velocidade dos feedbacks dos usuários;
  3. Plataformas tecnológicas: ferramentas que oferecem uma variedade de usabilidades com grande agilidade e baixo custo, seja na construção ou na manutenção de produtos e serviços digitais.

O termo também denomina um movimento e uma abordagem de inovação contínua.

A origem da Lean Startup

À esquerda, foto do empreendedor Eric Ries. À direita, capa do livro "The Lean Startup".

A metodologia Lean Startup foi descrita pelo empreendedor Eric Ries em um livro homônimo. Uma das origens do método é a experiência de Ries na startup IMVU, rede social fundada em 2004 antes do termo “metaverso” estar em alta. 

A outra inspiração é o Lean Thinking, ou pensamento enxuto, que norteava o Sistema de Produção Toyota (TPS, na sigla em inglês) na década de 1950.

O TPS foi desenvolvido pelo engenheiro e chefe de produção da montadora, Taiichi Ohno, que implantou um novo sistema de gestão que visava à mais alta qualidade no menor prazo e com o menor custo possível, por meio da eliminação de desperdício. 

O sucesso da indústria automobilística japonesa entre as décadas de 1960 e 1980 fez com que o TPS fosse conhecido em todo o mundo. Em 1990, o Lean Thinking foi sistematizado pelos pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) James P. Womack, Daniel T. Jones e Daniel Roos, no livro “A máquina que mudou o mundo” (“The machine that changed the world”). 

Os autores definem o Lean Thinking como “uma filosofia que tem como premissa a minimização do desperdício e a maximização da geração de valor para o cliente.” 

O movimento Lean

O movimento Lean defende um sistema de gestão de produção que elimine desperdícios e otimize processos para agregar valor ao cliente. 

No início, seus idealizadores pensavam em aplicá-lo na indústria automobilística; mas seguir o pensamento enxuto nos setores de tecnologia, das finanças e da saúde se mostrou bem-sucedido. 

O movimento Lean é norteado por 6 princípios: 

  1. Melhoria contínua;
  2. Criação de valor;
  3. Propósito;
  4. Capacitação dos colaboradores;
  5. Inovação;
  6. Flexibilidade para otimizar processos.

Para o Lean, é o cliente que define o valor de um produto ou serviço, que deve atender às suas necessidades por um determinado preço e momento. Para isso, as atividades de um setor são classificadas em dois grupos, o das que agregam valor e o das que não agregam. 

As atividades que agregam valor são aquelas pelas quais o cliente está disposto a pagar, seja em forma de produto ou serviço. As demais devem ser eliminadas do processo, por isso também são chamadas de “desperdícios”. 

Os 5 princípios da Lean Startup

Eric Ries estabeleceu 5 princípios para uma startup enxuta:

1. Empreendedores estão por toda parte

Para Ries, a metodologia Lean Startup funciona para empresas de todos os tamanhos, em qualquer setor ou atividade. 

É neste princípio que o autor traz sua definição de startup: “uma instituição humana projetada para criar novos produtos e serviços sob condições de extrema incerteza”. 

2. Empreender é administrar

Toda startup é uma instituição, não o produto que cria; por isso precisa seguir um tipo de gestão adequado para o contexto de extrema incerteza.

3. Aprendizado validado

O principal motivo para uma startup existir é “aprender a desenvolver um negócio sustentável”, nas palavras de Eric Ries. E essa aprendizagem precisa ser validada por meio de experimentos frequentes, que possibilitam ao empreendedor testar cada elemento de sua visão de negócios.

4. Construir/medir/aprender

Se o motivo da existência de uma startup é aprender, as suas atividades fundamentais são:

  1. Transformar ideias em produtos;
  2. Medir como os clientes reagem;
  3. Aprender se é o caso de pivotar (mudar de direção) ou perseverar.

Esses três pontos constituem o ciclo da Lean Startup, que deve ser acelerado para uma empresa aumentar as chances de ser bem-sucedida.

5. Contabilidade para inovação

Toda empresa deve adotar formas de medir o progresso, definir marcos e critérios para priorizar atividades.

O ciclo da Lean Startup

Exemplo do ciclo da Lean Startup. Créditos: Wikimedia Commons.

Agora vamos detalhar o princípio 4, que trata sobre o ciclo da Lean Startup. Ele abrange três fases:

  1. Construir
  2. Medir
  3. Aprender

1. Construir

A empresa deve criar um produto para testar hipóteses e iniciar o processo de aprendizagem. Esse produto deve ser minimamente viável, ou seja, um PMV.

Um PMV é a versão de um novo produto que deve ser utilizada pelos clientes para que a equipe possa aprender sobre as necessidades e expectativas do público alvo. Ele serve para evitar desperdícios na criação de recursos que não sejam do interesse do consumidor.

2. Medir

A empresa deve medir se o trabalho dedicado à construção do PMV valeu a pena ou não, e se deve seguir com o produto.

Duas importantes ferramentas de mensuração são os feedbacks qualitativos e quantitativos dos usuários. São eles que vão indicar se o produto da startup tem, de fato, valor para o cliente.

3. Aprender

A partir dos resultados da segunda fase, é o momento de listar os aprendizados e decidir se seguem em frente com o produto ou não. Caso a resposta seja negativa, um novo ciclo da Lean Startup deve ser iniciado.

Exemplos de Lean Startups

O movimento das Lean Startups reúne alguns cases de sucesso para você se inspirar. Confira 5 exemplos de empresas americanas que seguiram a metodologia:

  1. Dropbox
  2. Wealthfront
  3. Grockit
  4. Votizen
  5. Aardvark

>>> Os 6 D’s de uma organização exponencial. Quantos você conhece?

Como aplicar a metodologia Lean Startup

Revisado o conceito de Lean Startup, é hora de colocá-lo em prática.

A seguir você vai encontrar algumas orientações de como implementar a metodologia, mas o ideal é se aprofundar no método em um curso de gestão de projetos.

No curso, você tem a oportunidade de aprender como aplicar os princípios da Lean Startup com a ajuda de empreendedores experientes, que já os colocaram em prática e viram os resultados.

Você tem esta experiência nas aulas online do curso Gestão de Projetos, Jornada do Cliente e Metodologias Ágeis da Pós PUCPR Digital, por exemplo.

Confira 8 passos para aplicar a Lean Startup na sua empresa:

  1. Leia o livro “The Lean Startup”, de Eric Ries. Ele é a base indispensável para aplicar a metodologia.
  2. Estude as principais metodologias ágeis usadas por empreendedores. Você pode começar com as essenciais, o Scrum e o Kanban.
  3. Faça uma pesquisa com seus clientes atuais para entender se o seu produto atual atende às necessidades deles. É uma forma de iniciar o processo de Customer Development.
  4. Adote o ciclo da Lean Startup para aperfeiçoar um produto ou serviço que você já oferece. Será uma espécie de treino para usar o método na criação de um produto novo.
  5. Formule hipóteses sobre o seu mercado e faça testes para validá-las.
  6. Dê abertura para todos os colaboradores da empresa darem novas ideias – ou seja, empreenderem.
  7. Comece a desenvolver um PMV para testar suas hipóteses.
  8. Comece a mensurar e avaliar os resultados.

Gostou deste artigo sobre Lean Startup? Confira mais conteúdo sobre Negócios e Gestão no Blog da Pós PUCPR Digital.

Sobre o autor

Olívia Baldissera

Olívia Baldissera

Jornalista e historiadora. É analista de conteúdo da Pós PUCPR Digital.

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