30/07/2021 10:42:00

Simone Biles: como a pressão psicológica afeta a saúde mental

Simone Biles surpreendeu o mundo ao priorizar a saúde mental nas Olimpíadas de Tóquio. Entenda como a pressão psicológica é prejudicial não só para atletas

A ginasta Simone Biles surpreendeu o mundo esta semana ao não disputar as provas em equipe nem as individuais da ginástica artística nas Olimpíadas de Tóquio. O motivo? Cuidar da saúde mental.

“Tenho que colocar minha saúde mental como prioridade. Não vejo problema em desistir de grandes competições para focar em você porque mostra força como competidora e como pessoa”, disse a atleta em entrevista coletiva na terça (27).

✉️ Receba uma seleção semanal de artigos sobre saúde mental e carreira. Preencha o formulário abaixo e inscreva-se na News da Pós.

Simone Biles é considerada a melhor ginasta do mundo atualmente, com 25 medalhas em mundiais. Tantas conquistas vieram acompanhadas por uma grande pressão psicológica, que prejudicou o desempenho da ginasta.

E Biles não é a única a enfrentar questões de saúde mental no meio esportivo. A decisão dela recebeu o apoio de colegas da ginástica e atletas de outras modalidades, que também revelaram sofrer do mesmo problema.

Além de Simone Biles, outros atletas falaram sobre saúde mental nas Olimpíadas de Tóquio

Conheça 4 esportistas que falaram, durante as Olimpíadas de Tóquio, sobre como a pressão por ter uma alta performance afetou a saúde mental:

  • Naomi Osaka: a tenista japonesa desistiu de competir em Roland Garros e Wimbledon em 2021 por questões relacionadas à saúde mental. Em entrevistas, ela conta que tem sofrido com ansiedade e depressão, além de não se sentir confortável com a exposição em coletivas de imprensa.
  • Tom Dumoulin: o ciclista holandês tirou cinco meses para cuidar da própria saúde mental antes de ir para Tóquio. Ele contou à imprensa que havia esquecido de cuidar de si em 2020.
  • Liz Cambage: a jogadora de basquete australiana decidiu não participar das Olimpíadas um dia antes da abertura. Ela passou por crises de ansiedade devido à expectativa de restrição de contato na Vila Olímpica, imposta para evitar a transmissão da Covid-19.
  • Sha'Cari Richardson: a corredora dos EUA foi desclassificada das Olimpíadas por fazer uso de entorpecentes. Em entrevistas, ela conta que os usava para lidar com o luto de perder a mãe biológica.

O que é pressão psicológica

A pressão psicológica é definida pela Psicologia como uma ação, sempre realizada  por uma pessoa sobre outra, que causa dor emocional e descrença em si mesmo.

Conseguimos dimensionar a pressão psicológica pela qual passa Simone Biles e demais atletas profissionais ao imaginarmos a rotina puxada de treinos. Geralmente, um esportista de alta performance começa a treinar desde a infância. Ele precisa seguir uma série de regras rígidas, além de ter que lidar com cobranças internas e externas.

As cobranças externas tem diferentes fontes. Podem vir da família, do treinador, da mídia e até do próprio público que acompanha as provas esportivas. O mundo de superexposição em que vivemos hoje, mediado pelas redes sociais, agrava os efeitos da pressão psicológica.

Como a pressão psicológica afeta a saúde mental

A pressão psicológica pode levar a quadros de ansiedade e depressão não apenas em atletas, mas em pessoas que vivem nos mais diferentes contextos. A Organização Mundial da Saúde (OMS), aliás, prevê que a depressão será a doença mais comum do mundo até 2030.

Os prejuízos à saúde mental são uma consequência da sociedade do desempenho em que vivemos, como explica o psiquiatra e professor da Pós PUCPR Digital Jairo Bouer neste post. As pessoas frequentemente são cobradas a cumprir expectativas de performance, produtividade e aparência, no âmbito pessoal e profissional.

Para lidar com tudo isso, é necessário desenvolver equilíbrio emocional e resiliência. Eles são particularmente importantes para os atletas lidarem com o sentimento de frustração decorrente de derrotas nas competições.

Cuidar da saúde mental é, antes de tudo, um exercício de autoconhecimento. É preciso perceber quando há uma autocobrança excessiva e, principalmente, saber reconhecer os próprios limites.

sobre o autor

Olívia Baldissera

Jornalista, historiadora e analista de conteúdo da Pós PUCPR Digital.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.

Próximo conteúdo

Quem é Mariana Holanda, a primeira diretora de Saúde Mental da Ambev

Simone Biles surpreendeu o mundo ao priorizar a saúde mental nas Olimpíadas de Tóquio. Entenda como a pressão psicológica é prejudicial não só para atletas

Tempo de leitura

2 min