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Inovação na Saúde   |   Pós PUCPR Digital Trends

Ainda há espaço para o atendimento humanizado na saúde? [Pós PUCPR Digital Trends]

Por Mariana Fernandes   | 

Devido às novas tecnologias na área, ainda há espaço para o atendimento humanizado na saúde? 

No dia 30/05/2022, aconteceu a primeira noite do Pós PUCPR Digital Trends: prepare-se para o pós, um evento que trará a contribuição de professores e profissionais renomados em diversas áreas sobre o que esperar dos próximos anos. 

Na primeira fala da noite, tivemos uma aula com o professor Yuval Noah Harari sobre o impacto dos avanços tecnológicos na sociedade.

E na segunda fala da noite, tema deste artigo, tivemos uma aula ministrada pela Dra. Luana Araújo e uma mesa redonda composta por Gustavo Meirelles e Cláudio Giulliano. O evento foi apresentado e ministrado por Matheus Pannebecker. 

Durante a fala, tivemos uma discussão muito rica sobre humanização e tecnologia. 

Dentre os assuntos abordados estão como a tecnologia e a humanização impactam os brasileiros, como melhorar a humanização na saúde pública e quais são os ganhos da tecnologia combinada com a humanização para a gestão de saúde. 

Neste artigo, você encontrará uma síntese dos assuntos abordados pelos convidados no evento. 

Você vai conferir: 

Uma aula sobre humanização e tecnologia com a Dra. Luana Araújo
Mesa Redonda com Gustavo Meirelles e Cláudio Giulliano
Como se preparar para o pós com a Pós PUCPR Digital

Conclusão

Inscreva-se na pós-graduação em Saúde 4.0 da Pós PUCPR Digital

“Humanização e Tecnologia”, com a Dra. Luana Araújo 

A Dra. Luana Araújo é médica infectologista e se transformou na voz que o Brasil precisa ouvir. 

Ela foi a primeira brasileira a receber a prestigiosa bolsa Sommer no mestrado em Saúde Pública na Universidade Johns Hopkins, nos EUA. 

Dra. Luana já desenvolveu projetos de saúde pública para organizações supranacionais no Brasil e em países como Coreia do Sul, Guiné-Bissau e Cabo Verde. 

foto-luana

Em sua fala no Pós PUCPR Digital Trends: prepare-se para o pós, Dra. Luana trouxe provocações sobre humanização e tecnologia através de perspectivas individuais e coletivas. 

Sua aula buscou tentar entender como utilizar a tecnologia existente não apenas para trazer resultados, mas para fazer com que tenhamos uma melhor relação humana entre as pessoas, visando especialmente o setor da saúde. 

Para isso, Dra. Luana começa com um exemplo que, infelizmente, se tornou familiar para muitos brasileiros nos últimos anos. 

Ela conta o caso clínico do Sr. Mauro (personagem de história real, mas nome fictício) que teve uma experiência lastimosa enquanto paciente durante a pandemia. O sr. Mauro, infelizmente, faleceu de COVID-19 depois de uma série de dificuldades enfrentadas em postos de saúde e hospitais. 

E analisando este caso clínico, Dra. Luana levanta algumas questões importantes sobre brechas que poderiam ajudar a mudar o curso da história do sr. Mauro e a de tantos brasileiros. 

Dentre as questões estão: onde estão as falhas? O que podemos fazer? Quais recursos foram e não foram utilizados? O que a saúde pública poderia ter feito de diferente? O que a governança poderia ter feito de diferente? Como os sistemas poderiam ter sido integrados? Onde a tecnologia poderia ter ajudado a garantir ao sr. Mauro uma história diferente?

dra luana araujo humanizacao e tecnologia na saude 2Dra. Luana Araújo durante o evento 

E além dessas perguntas, Dra. Luana também traz uma outra perspectiva: se pudéssemos perguntar ao sr. Mauro o que era mais importante para ele durante esse processo, o que ele diria? 

O que você diria, se estivesse no lugar do sr. Mauro? Você diria que o que o sr. Mauro passou, o isolamento dos entes queridos e o sofrimento sem atendimento em tempo hábil, foi desumano? 

A Dra. Luana pergunta, então: o que seria humano neste caso? 

É a partir desta pergunta que podemos começar a construir o que é um atendimento humanizado para cada indivíduo que se vê como paciente. 

Isso porque a construção da humanização, como a Dra. Luana aponta começa pela percepção do indivíduo e depois passa pelo coletivo. 

E para entender como começar a fazer isso, vamos precisar elencar os principais problemas enfrentados na jornada do sr. Mauro. Confira: 

  • Acesso ao sistema de saúde: quando precisou, sr. Mauro não conseguiu acessar o sistema de saúde. Ele tinha medo, o posto de saúde não tinha vagas, ele não teve atendimento em tempo hábil e nem teve seu diagnóstico. 
  • Atenção preventiva: o sr. Mauro, que era diabético e hipertenso, não teve um atendimento contínuo, mesmo que o sistema de saúde tivesse o conhecimento de que as comorbidades podem deixar o quadro da COVID mais grave. 
  • Acesso a recursos tecnológicos: tanto para acompanhamento de seu caso, mas também para equipamentos. Durante a jornada do sr. Mauro foi sugerido que sua esposa comprasse um oxímetro, porém é um equipamento caro e a família não poderia arcar com o valor. 
  • Falta de informações sobre seu quadro: o sr. Mauro não tinha informações sobre como lidar com sua diabetes e hipertensão, assim como não sabia como lidar com a COVID. 
  • Fluxo de atenção em saúde: quando chegou ao hospital, sr. Mauro era desconhecido para o sistema. Isso porque ele não teve suas informações atendidas em momentos anteriores. 
  • Rotatividade hospitalar: o hospital estava lotado quando o sr. Mauro chegou lá. Ele passou 12 horas tentando acesso a uma consulta até que ele fosse diagnosticado. 
  • Falta de treinamento: a equipe que atendeu o sr. Mauro no hospital e a que atendeu sua esposa no posto de saúde não tinham o treinamento necessário para lidar com os casos. 
  • Efetividade de cuidado: embora prestado, o cuidado não teve a efetividade necessária. 
  • Internação em isolamento: este último ponto é uma necessidade do cuidado com a COVID, porém quando vista pelo olhar do paciente e de sua família é uma situação desgastante porque você fica isolado, com medo, sozinho e sem saber o que está acontecendo. 

A Dra. Luana aponta que, de acordo com esta listagem superficial, conseguimos perceber, pelo menos, dez pontos em que as intervenções humana e tecnológica poderiam ter feito a diferença. 

A partir destes pontos, podemos listar algumas propostas de humanização. Nada teórico, como a Dra. Luana diz, mas prático, a primeira coisa que nos vem à cabeça.

fala da dra luana araujo humanizacao e tecnologia

Ela aponta as seguintes propostas: 

  • Gostaria de saber exatamente o que está acontecendo no sentido de quadro clínico, gostaria de ter acesso ao que os médicos e enfermeiros estão pensando, o que os exames estão apontando e o que isso significa daqui para a frente. 
  • Gostaria de ter acesso fácil a equipes de saúde no momento em que precisasse. No caso de sentir uma dor, qualquer dor, que lugar deveria procurar? O posto de saúde, um pronto atendimento, um hospital? Como podemos ter essa informação? Em um aplicativo, algum sistema tecnológico? 
  • Gostaria de ser ouvida com atenção pelas equipes de saúde, que elas tivessem tempo para ouvir, avaliar os sintomas e entender o que está acontecendo sem a correria de precisar atender muitas outras pessoas. Gostaria que as queixas trazidas fossem respeitadas e que o profissional de saúde pudesse parar para analisar exatamente o que está acontecendo. 
  • Gostaria de ser acolhida na preocupação trazida e no medo sentido, que as equipes pudessem ter treinamento suficiente para conseguir entender o lugar de onde vem o medo e que também tivesse treinamento para ajudar a apaziguar esse medo. 
  • Gostaria de ter acesso a exames e medicamentos, mesmo sem ter dinheiro para ter acesso a esses exames e comprar medicamentos. 
  • Gostaria que todas essas soluções evitassem que uma pessoa precisasse ir ao hospital, gostaria de poder ficar em casa, perto da minha família e, ainda assim, receber o tratamento necessário. E ainda que precisasse ir ao hospital, gostaria que minha família ficasse perto de mim o tempo todo. 
  • E para finalizar, gostaria que tudo isso tivesse um final satisfatório e que eu terminasse o tratamento sabendo que estou bem e que deixei toda aquela fase para trás. 

Mas esta listagem é o que a Dra. Luana acredita ser um atendimento humanizado. E para você, o que falta nesta lista?

“Como a humanização, tecnologia e saúde se relacionam”, com Gustavo Meirelles e Cláudio Giulliano 

Após a aula da Dra. Luana, Gustavo Meirelles e Cláudio Giulliano participaram junto ao mediador, Matheus, de uma mesa redonda a fim de aprofundar um pouco mais as questões trazidas e para responder as perguntas dos espectadores. 

Gustavo Meirelles é vice-presidente médico do Grupo Alliar. Tem doutorado na Unifesp, pós-doutorado no Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, é presidente da I2A2 e é sócio e mentor da Ambra Saúde, Datalife.ia e Brightmed. 

Cláudio Giulliano é médico, mestre e doutor em Informática em Saúde e é certificado em gestão de sistemas de informação em saúde pela HIMSS nos Estados Unidos (CPHIMS). Ex-presidente da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS), seu desafio atual é liderar a FOLKS, especializada em transformação digital na saúde e parceira oficial Premier da HIMSS para América Latina. 

O mediador Matheus Pannebecker e os convidados, Cláudio Giulliano e Gustavo Meirelles durante a mesa redonda no evento 

O mediador Matheus Pannebecker e os convidados, Cláudio Giulliano e Gustavo Meirelles durante a mesa redonda no evento 

Durante a mesa redonda no Pós PUCPR Digital Trends: prepare-se para o pós, os profissionais discutiram sobre a relação entre humanização e tecnologia, políticas de saúde pública brasileira, os pilares do atendimento humanizado e os ganhos da humanização para a gestão. 

Confira os principais tópicos abordados por Gustavo e Cláudio: 

O que significa ter saúde? 

Quando falamos sobre o que é ter saúde, muitas pessoas acreditam que é a falta de doenças. Porém, a saúde é um aspecto que leva muito mais em conta, explica Cláudio Giulliano. 

A principal definição de saúde é estar bem. E isso envolve não apenas estar bem fisicamente, mas estar bem socialmente e psicologicamente. 

Por conta disso, este acaba sendo um conceito muito individualizado, como aponta Cláudio, porque estar bem para uma pessoa não significa o mesmo para outra. 

Gustavo Meirelles complementa a fala trazendo a questão de que o sistema de saúde hoje preocupa-se muito mais em detectar doenças do que detectar saúde. 

Além disso, ele também comenta sobre como a saúde individual também precisa estar atenta ao coletivo. Se uma pessoa está bem física e mentalmente, mas seu entorno não está, será que ela está bem mesmo? 

Em termos de humanização, o que a pandemia nos trouxe? 

Para Gustavo, o principal aprendizado foi a nova importância que o coletivo ganhou, como agora se torna mais difícil pensar em uma pessoa isolada, uma comunidade isolada e um país isolado. 

Vivemos em um mundo globalizado não apenas no sentido de cultura, mas em todos os sentidos.

O convidado também aponta a importância das vacinas e como elas se tornam muito mais relevantes no contexto. Assim como a telemedicina, terceiro ponto trazido por ele.

gustavo meirelles humanizacao e tecnologiaGustavo Meirelles durante o evento

A humanização combinada com a tecnologia chega a todos os brasileiros? 

Para Gustavo, a tecnologia chega, mas com custos. 

Nesse sentido, ele acredita que o trabalho de organizações não governamentais tem tido papel importante na inovação, mas também fala sobre como é essencial que haja investimento público na tecnologia. 

Complementando a fala, Cláudio diz que a tecnologia traz equidade. 

Nesse sentido, utilizar a tecnologia para levar o atendimento onde antes não se conseguia acessar é ampliar a atuação do sistema de saúde, seja com telemedicina ou com um sistema mais eficiente. 

Para Cláudio, a tecnologia ajuda o SUS, principalmente, a cumprir seus princípios básicos, o que, por sua vez, ajuda a trazer humanização para a saúde brasileira. 

claudio giulliano humanizacao e tecnologia

Cláudio Giulliano durante o evento

O que se entende como sendo os pilares do atendimento humanizado na saúde? 

Gustavo Meirelles traz exemplos de alguns problemas que podem ajudar a entender o que seriam os pilares. 

Um destes problemas é a falta de escuta ativa e visão humanista, isso porque, segundo dados do sistema de saúdem norte-americano, um profissional da saúde interrompe o paciente nos primeiros segundos de consulta. 

Outro problema seria o médico estar imerso em diversas outras atividades que não seja olhar para o paciente. 

Por exemplo, segundo os mesmos dados, o profissional passaria 25% de seu tempo com o paciente e 75% fazendo tarefas burocráticas, como acessar dados do paciente no computador ou inserindo dados do paciente no computador. 

E isso traz a questão de que estamos buscando novas tecnologias, mas deixando a escuta ativa e visão humanista para trás, segundo complemento de Cláudio para o assunto. 

Para ele, a culpa não é da tecnologia em si, mas de como ela é aplicada. 

Cláudio também aponta a escuta ativa como o principal pilar de um atendimento humanizado na saúde. 

E isso ele traz como um problema que existe antes mesmo da inserção da tecnologia nos consultórios. Isso porque antes do computador, era no prontuário em papel que o médico tomava notas. 

Para ambos os palestrantes convidados, a solução estaria em melhorar a escuta ativa.

Como se preparar para o pós com a Pós PUCPR Digital 

Gostaríamos também de convidar você para conhecer a Pós PUCPR Digital, uma pós-graduação que conta com a chancela de uma das maiores e mais respeitadas instituições educacionais do país. 

A Pós PUCPR Digital conta com um corpo docente diferenciado, com professores convidados que são referência no Brasil e no Mundo. 

E como hoje nós falamos sobre saúde, confira os cursos que a Pós PUCPR Digital oferta na área: 

Além dos cursos de pós-graduação citados acima, você também pode conferir cursos em outras áreas, como gestão, direito, finanças, comunicação, humanidades e tecnologia. 

Só na Pós PUCPR digital você tem acesso direto às mentes mais brilhantes do Brasil e do mundo de onde você estiver, no tempo que você tiver. 

Confira aqui todos os cursos oferecidos. 

Alavanque sua carreira com os cursos da Pós PUCPR Digital!

Sobre o Pós PUCPR Digital Trends

Entre os dias 30 de maio e 2 de junho, aconteceu o Pós PUCPR Digital Trends, um evento que reuniu especialistas renomados para discutir tendências nos campos da inovação, tecnologia e gestão.

Durante esses dias, o público teve acesso a 7 aulas exclusivas com Yuval Harari, Martin Lindstrom, Jurgen Appelo, Luana Araújo, Patrícia Peck, Marina Cançado e Marcelo Leite, além de ter a chance de participar de mesas de discussão com especialistas, que responderam perguntas dos participantes.

O Pós PUCPR Digital Trends foi 100% online e gratuito, com emissão de certificados. Confira as principais ideias discutidas nos quatro dias de evento:

>>> O impacto dos avanços tecnológicos, segundo Yuval Harari

>>> A empatia e o bom senso na lógica do consumo, segundo Martin Lindstrom

>>> Por que entender a motivação humana é fundamental para gestores, segundo Jurgen Appelo

>>> O objetivo da LGPD explicado por Patrícia Peck

>>> Práticas ESG de meio ambiente, responsabilidade social e governança, com Marina Cançado

>>> O poder do Data Analytics para os negócios segundo esses especialistas

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Sobre o autor

Mariana Fernandes

Mariana Fernandes

Museóloga e especialista em Jornalismo Digital. É analista de conteúdo da Pós PUCPR Digital.

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