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Futuro do trabalho

Seriam as DAOs o futuro do trabalho?

Por Olívia Baldissera   | 

Quando você pensa em uma empresa, qual a imagem que vem à sua cabeça?

Provavelmente deve ser a de um CEO e um grupo de executivos tomando decisões a portas fechadas, montando um plano de negócio que depois será repassado para os colaboradores. Estes terão que apenas que executar a ideia, de acordo com as regras e estrutura hierárquica da organização.

E se essa reunião fosse aberta para todos, que teriam o poder de propor ideias e votar nas que acreditam?

Esse é um dos cenários possíveis do futuro do trabalho graças às DAOs, sigla para Decentralized Autonomous Organizations, que em português pode ser traduzido para “organizações autônomas descentralizadas”.

Hoje essa sigla é bastante utilizada por especialistas e investidores de criptoativos por causa das plataformas DeFi, mas a tendência é que seu conceito seja transposto ao mundo do trabalho, devido ao aprofundamento da Gig Economy com a pandemia de Covid-19.

A seguir, você vai conhecer o conceito de DAO e como se preparar para o futuro do trabalho. Confira:

Como funciona uma DAO
As diferenças entre uma DAO e uma organização tradicional
Exemplos de DAOs
As DAOs e o futuro do trabalho
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Como funciona uma DAO

As DAOs são instituições nativas da internet de propriedade coletiva, criadas em torno de um objetivo comum. Elas não têm uma liderança central, por isso são chamadas de “empresas sem CEO”. Todos os integrantes têm direito de participar das decisões da organização, por meio de votação.

Para participar do processo decisório, o integrante deve ter um determinado número de tokens emitidos pela DAO e estar de acordo com as regras de consenso estabelecidas via smart contract.

Um token é uma espécie de código que indica que alguém é proprietário de um conteúdo digital. É como se fosse um certificado, um selo de autenticidade que confirma que alguém criou ou tem a posse de algo.

Já um smart contract (ou “contrato inteligente”, em tradução livre para o português) é uma espécie de contrato 100% digital que permite a execução automática de regras pré-estabelecidas entre as partes.

A DAO funciona em uma blockchain, um tipo de base de dados descentralizada que armazena os registros das operações. As informações são armazenadas em blocos, que são ligados entre si, como em uma rede.

O conceito de DAO foi desenvolvido por Vitalik Buterin, criador da rede Ethereum, em 2013. Ele pensou em uma nova forma como as corporações podiam atuar, com controle, gestão e decisões distribuídos entre os participantes.

A proposta de Buterin surgiu em um cenário com novas formas de gerar renda além do trabalho corporativo convencional, como as atividades exercidas por influenciadores, creators e participantes da meta-economia.

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As diferenças entre uma DAO e uma organização tradicional

Conceitualmente, as diferenças entre os dois tipos de organização são:

DAOs

  • Gestão horizontal e democrática;
  • Toda mudança passa por votação entre os membros;
  • Caso a mudança seja aprovada, ela é implementada automaticamente sem a necessidade de intermediários;
  • Serviços oferecidos são operacionalizados automaticamente e de forma descentralizada;
  • Toda a atividade é transparente e pública.

Organizações tradicionais

  • Gestão hierarquizada;
  • Mudanças podem ser propostas apenas por um grupo, dependendo da estrutura da empresa;
  • Se uma votação for permitida, os votos são coletados internamente e a implementação do resultado é feita manualmente;
  • Oferta de serviços depende de força de trabalho humana ou uma automação centralizada, que pode ser manipulada;
  • As atividades geralmente são privadas e limitadas ao público.

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Exemplos de DAOs

Atualmente, os usos mais comuns de DAOS são investimentos, caridade, crowdfunding de projetos e empréstimos.

No Brasil, a primeira DAO criada foi a Kairós, rede que une pessoas de todo o país para sugerir, criar e engajar novos projetos. Esses projetos podem ser abrir uma empresa, desenvolver um software ou criar um algoritmo. Os membros da rede interessados em participar contribuem com sua expertise, sendo remunerados por isso.

Fora do país, um exemplo é a Krause House DAO, uma comunidade fãs de basquete que tem como objetivo montar um time próprio para disputar a NBA. Eles já levantaram US$ 1,5 bilhão para adquirir uma franquia.

Podemos citar também algumas empresas que já seguem o modelo de organização descentralizada:

  • Bankless: focada na educação da população sobre o mundo cripto;
  • Gitcoin: que reúne desenvolvedores para criarem e otimizarem softwares livres;
  • Index Coop: oferece desenvolvimento de tolkens e smart contracts;
  • DAOSquare: incubadora de projetos inspirados no conceito da Web3;
  • dOrg: oferece serviços de desenvolvimento de projetos inspirados na Web3.

Mas nem todas as organizações autônomas descentralizadas tiveram sucesso. O caso mais conhecido é o The DAO, projeto da startup alemã slock.it lançado em maio de 2016. A proposta era criar um serviço semelhante ao do AirBnB, mas descentralizado. O projeto foi financiado via crowdfunding e conseguiu arrecadar US$ 150 milhões em Ethereum.

Dois meses depois, hackers invadiram o sistema do The DAO e roubaram US$ 50 milhões da iniciativa. O episódio gerou desconfiança em relação à segurança da DAOs entre os usuários.

As DAOs e o futuro do trabalho

As DAOs focadas em criptoativos ajudam a imaginar cenários em que profissionais têm mais autonomia para decidir de quais projetos vão participar, sem a necessidade de ter um vínculo com uma única empresa.

A consultoria em futurologia Aerolito detalhou esses cenários em um artigo, listando pontos positivos e negativos das DAOs no mundo do trabalho.

Como pontos positivos, estão:

  • Dedicar horas de trabalho a diferentes organizações ao mesmo tempo;
  • Contribuir para projetos ligados a valores e princípios pessoais;
  • Não ter que seguir políticas de escritório que geram estresse no trabalho.

Já os negativos são:

  • Ausência de regulamentação e, portanto, de direitos trabalhistas;
  • Riscos de cansaço mental, por ser demandado por diferentes DAOs com projetos muito distintos entre si.

O futuro do trabalho com as DAOs também prevê diferentes formas de remuneração, baseadas em criptoativos:

Work-to-earn (W2E)

Trabalhar para ganhar, em tradução livre. O profissional trabalha na operação da própria DAO, como no community management, na governança ou no marketing. Ele é remunerado com tokens ou com stablecoins.

Play-to-earn (P2E)

Como o nome já diz, o usuário é remunerado de acordo com o tempo e as atividades realizadas em uma espécie de videogame.

Essa modalidade já é praticada no Axie Infinity, jogo online que roda na rede Ethereum. O participante precisa capturar, evoluir e batalhar com monstrinhos, chamados de Axies, para receber tokens.

axie-infinity-divulgacaoAxie Infinity/Divulgação

Learn-to-earn (L2E)

O profissional é remunerado pelo aprendizado de uma habilidade nova, como já acontece na plataforma RabbitHole.

Create-to-earn (C2E)

Voltado para a economia criativa. O profissional é remunerado com tokens por escrever artigos ou criar obras de arte.

Use-to-earn (U2E)

Nessa modalidade, todo usuário de rede social é remunerado por interagir e comentar em publicações. A Minds, rede social de código aberto, tem essa proposta.

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Ainda vai demorar para as DAOs fazerem parte do dia a dia dos profissionais e das empresas. Além de poucas pessoas estarem familiarizadas com os conceitos do universo cripto, as organizações descentralizadas estão em um limbo regulatório.

Mas outras modalidades podem surgir, com transformações tecnológicas cada vez mais aceleradas.

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Sobre o autor

Olívia Baldissera

Olívia Baldissera

Jornalista e historiadora. É analista de conteúdo da Pós PUCPR Digital.

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