07/05/2021 07:00:00

Dia dos Namorados: como o Big Data revolucionou estratégias de vendas

O Dia dos Namorados começou como uma estratégia de vendas, muito antes do Big Data entrar no vocabulário do marketing. Entenda esta história.

Se você trabalha com marketing digital e vendas, todos os anos deve integrar uma força tarefa dentro da sua empresa para aproveitar as oportunidades de faturamento de datas comemorativas. É Dia das Mães, Dia dos Namorados, Black Friday, Natal...

O dia 12 de junho, em especial, representa um aumento expressivo nos lucros no varejo, principalmente para o e-commerce. Em 2020, foram realizadas 15,8 milhões de compras online entre 28 de maio e 12 de junho, que renderam R$ 6,45 bilhão de faturamento, segundo levantamento da Compre&Confie. O valor é mais do que o dobro do faturamento registrado no mesmo período de 2019.

Estes grandes números devem muito a um anúncio de jornal, de décadas atrás, que inaugurou um ritual de troca de presentes entre casais. A seguir, você conhecerá como uma estratégia de vendas fez com que o Dia dos Namorados entrasse no calendário brasileiro. Ainda, entenderá como o Big Data impactou o trabalho de profissionais de marketing.

Vamos lá?

O Dia dos Namorados no Brasil surgiu como estratégia de vendas

Segundo o Dicionário histórico-biográfico da propaganda no Brasil (2007), da historiadora Alzira Alves De Abreu, o Dia dos Namorados no Brasil passou a ser celebrado em junho graças a uma campanha das lojas de departamento A Exposição. A rede publicou um anúncio de meia página no dia 9 de junho de 1948 no jornal O Globo, que associava a data com o Dia de Santo Antônio, comemorado em 13 de junho.

A campanha foi encomendada à empresa Standard Propaganda S.A., que precisava encontrar uma solução para aumentar as vendas em um período do ano de baixo movimento no comércio. Mas a agência de publicidade passou o Dia dos Namorados para 12 de junho para que a data não coincidisse com as celebrações religiosas.

O sucesso da campanha fez com que outras empresas adotassem a mesma estratégia. O resultado, você já sabe: o Dia dos Namorados se tornou uma das principais datas para o varejo.

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Anúncio da loja Galeria Paulista de Modas. Fonte: Acervo O Estado de S. Paulo, edição de 6 de junho de 1948.

Segundo levantamento da Kantar, a celebração é a segunda data em que os brasileiros mais gastam com presentes, ficando atrás apenas do Dia dos Pais. As fragrâncias femininas são o presente preferido, seguidas pelas masculinas e produtos de cuidado com o corpo.

Antes e depois do Big Data: os dados por trás das campanhas de sucesso

De 1948 à 1990, as estratégias de vendas no Dia dos Namorados se concentravam em estimular o consumidor a ir às lojas físicas. Tudo mudou com a popularização da internet, que saiu do âmbito acadêmico para fazer parte do dia a dia das pessoas, e a consequente criação de um novo canal de vendas: o comércio eletrônico (e-commerce).

O primeiro site de vendas online de que se tem registro é o da Pizza Hut, desenvolvido em 1994, nos Estados Unidos. Amazon e Ebay entraram no mercado do varejo online logo em seguida. No Brasil, o e-commerce se popularizou nos anos 2000.

As vendas online possibilitaram entender de forma mais aprofundada o comportamento do consumidor no Dia dos Namorados e em outras datas comemorativas, devido ao grande volume de dados que passou a ser gerado. É neste contexto o Big Data deixa de ser uma preocupação exclusiva dos profissionais de TI, que desde a década de 1960 debatiam o tema, e entra no vocabulário do meio corporativo.

Afinal, a inteligência de mercado ganhou uma grande aliada para desenvolver modelos preditivos e estratégias de vendas. É preciso lembrar que empresas coletam informações sobre vendas, preferência dos consumidores e audiência de propaganda desde 1910 para identificar padrões e tendências.

A revolução que o Big Data causou foi a diminuição dos custos de coleta e armazenamento de dados sobre as mais diferentes práticas organizacionais, gerando um grande volume de informações de alta profundidade e detalhamento.

Para o varejo, as novas tecnologias e o e-commerce representaram um aumento no faturamento e no engajamento de clientes. As vendas no Dia dos Namorados, por exemplo, podem ser acompanhadas em tempo real. Caso uma campanha não esteja performando tão bem, ela pode ser alterada no mesmo instante.

Em outras palavras, o Big Data tornou as estratégias de vendas nos Dias do Namorados muito mais dinâmicas. Na prática, a análise de dados em tempo real permitiu aos profissionais do marketing:

  1. Desenvolver anúncios cada vez mais personalizados, seja em redes sociais ou no Google Adwords;
  2. Oferta de descontos personalizados em produtos específicos, por meio de campanhas de remarketing;
  3. Realizar e automatizar testes A/B para veicular o anúncio que apresentou a melhor performance entre os usuários;
  4. Oferecer um atendimento automatizado mais eficiente, por meio do machine learning e da análise do comportamento do usuário;
  5. Auxiliar na otimização do gerenciamento de estoque, a partir da análise de dados das demandas da loja virtual, períodos de sazonalidade e antecipação de tendências.

Estas são apenas algumas das possibilidades de uso dos dados na estratégia de vendas não só do Dia dos Namorados, mas no ano inteiro. O profissional de marketing que atua como analista de inteligência de mercado deve ter um conhecimento aprofundado sobre Big Data, em especial para trabalhar lado a lado com a equipe de TI e Business Intelligence para tirar insights das informações coletadas.


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sobre o autor

Olívia Baldissera

Analista de conteúdo da Pós PUCPR Digital. Jornalista e historiadora apaixonada pelo estudo.

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