06/09/2021 07:00:00

O que é governança de TI, uma das áreas mais bem remuneradas da tecnologia

Especialistas em governança de TI são peças-chave para o sucesso de uma empresa. Conheça essa área cada vez mais valorizada no mercado

Nenhuma empresa sobrevive sem profissionais de tecnologia. Este fato se reflete em um mercado aquecido se olharmos as estimativas da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom). Mais de 421 mil postos de trabalho devem ser criados no setor até 2024, o que dá mais de 100 mil vagas por ano. No entanto, os cursos superiores formam menos de 50 mil novos profissionais de TI por ano.

A lacuna profissional só aumenta a disputa por profissionais como cientistas de dados, especialistas em cibersegurança e desenvolvedores. Outro segmento da tecnologia que acompanha a demanda é o de governança de TI, que se tornou essencial para uma empresa alcançar seus objetivos com a transformação digital.

Se você pensa em aproveitar as oportunidades de um mercado aquecido, precisa saber o que é governança de TI e os benefícios de implementá-la nas organizações. Vamos lá?

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O que é governança de TI

A governança de TI é um conjunto de normas e práticas definido por cada organização para seu departamento de tecnologia de informação. Elas são estabelecidas a partir das exigências do setor e dos valores internos da empresa, norteando assim os processos internos. Esses parâmetros também determinam as responsabilidades de cada setor e os resultados esperados para cada uma das atividades executadas pelas equipes.

A governança de TI é um desmembramento da governança corporativa, que se tornou necessário com a massificação da informática na década de 1990. A área assumiu a responsabilidade de alinhar a estrutura de TI aos objetivos estratégicos e metas financeiras de uma empresa.

Na prática, a governança de TI define o orçamento para o setor de tecnologia da empresa, verifica se as normas e políticas estão sendo seguidas pelos colaboradores e dá suporte à tomada de decisões para quem ocupa cargos de chefia.

Benefícios da governança de TI para as empresas

  • Maior segurança da informação
  • Melhoria na comunicação interna
  • Redução de riscos
  • Otimização de recursos
  • Maior confiança dos clientes

A diferença entre governança de TI e gestão de TI

A governança de TI é responsável pela parte mais estratégica de desenvolvimento de objetivos para a área de tecnologia, enquanto a gestão executa as ações necessárias para atingir esses objetivos. Ou seja, enquanto a primeira tem uma visão macro do negócio, a segunda se concentra no dia a dia das atividades.

A diferença entre governança de TI e gestão de TI apresentada acima é a descrita pelo princípio 4 do COBIT 2019, framework de gerenciamento que detalharemos mais adiante.

As 5 grandes áreas da governança de TI

Segundo o Information Technology Governance Institute (ITGI), os profissionais que atuam na governança de TI devem concentrar esforços em 5 áreas foco para entregar valor à empresa e mitigar risco. Conheça cada uma delas:

1. Alinhamento estratégico

Quem atua na governança de TI de uma organização deve fazer com que a estratégia de TI esteja alinhada à dos negócios. Os métodos mais eficazes para criar harmonia entre as duas são a implementação de um modelo de arquitetura corporativa e gerenciamento de portfólio.

2. Entrega de valor

A equipe de governança de TI deve garantir que os investimentos em tecnologia dentro da empresa entreguem o máximo valor comercial possível de acordo com um nível aceitável de risco.

O ITGI publicou a estrutura Val IT para auxiliar a governança de investimentos em tecnologia. Ela é indicada para comunicar de forma mais clara a entrega de valor para as partes interessadas.

3. Gestão de riscos

Além de identificar e avaliar os riscos, a áres de governança de TI deve saber comunicá-los aos setores da empresa e aos clientes. O ideal é criar um quadro de risco que preveja o planejamento de continuidade de negócios, o alinhamento aos requisitos legais e um método de demanda e tolerância para ser usado na tomada de decisões.

4. Gerenciamento de recursos

A governança de TI é responsável por definir e gerenciar o orçamento da área de tecnologia, o que envolve pessoas e infraestrutura. Ela deve fazer a aquisição e gestão de recursos, monitorar fornecedores externos e criar programas de treinamento e desenvolvimento pessoal.

5. Mensuração de desempenho

É preciso fazer uma avaliação frequente da implementação da estratégia, da execução dos projetos e da aplicação dos recursos, para assim direcionar as ações de TI de acordo com as metas da organização. Um método indicado para a governança de TI são os balanced scorecards, que ajudam a visualizar as ações e resultados decorrentes das estratégias.

ISO/IEC 38500 e COBIT: modelos de governança de TI

Assim como desenvolvedores tem o DevOps como modelo de entrega de valor, a governança de TI conta com diretrizes que norteiam o trabalho. As mais utilizadas são a norma ABNT ISO/IEC 38500 e o framework COBIT, que você irá conhecer agora.

A norma ABNT ISO/IEC 38500

É uma norma internacional de governança de TI publicada pela International Organization for Standardization (ISO), em parceria com a International Electrotechnical Commission (IEC). A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é a representante oficial da ISO no país e disponibiliza a ISO/IEC 38500 em português.

A norma ISO/IEC 38500 pode ser seguida por empresas de todos os segmentos e tamanhos, além de órgãos públicos, entidades governamentais e organizações sem fins lucrativos. Ela estabelece 6 princípios para uma boa governança de TI:

1. Responsabilidade

Todos os colaboradores e equipes da organização devem saber quais são suas atribuições no fornecimento de TI. Eles devem ter autonomia e poder de decisão ao lidarem com a tecnologia.

2. Estratégia

Executivos, gestores e colaboradores devem compreender qual a capacidade da área de TI, que também deve ter consciência das necessidades atuais da empresa como um todo. Ou seja, a governança de TI deve acompanhar a elaboração da estratégia, sua execução e como ela impacta os planos para o futuro dos negócios.

3. Aquisição

Deve haver equilíbrio e transparência nos investimentos da área de TI. Toda aquisição tem um motivo, que deve ser explicitado para a empresa, indicando benefícios, oportunidades, custos e riscos.

4. Desempenho

O monitoramento do desempenho da área de tecnologia dentro de uma organização deve ser constante. A governança de TI deve garantir que a área presta o suporte adequado às necessidades da empresa.

5. Conformidade

Os analistas e gestores da área de governança de TI devem estar atentos se processos e operações estão de acordo com a legislação e regulamentação do setor.

6. Comportamento humano

Uma boa governança de TI é feita por pessoas, por isso todas as relações humanas envolvidas no processo devem ser respeitosas e éticas.

Control Objectives for Information and related Technology (COBIT)

O COBIT é um framework que ajuda profissionais de tecnologia a entenderem, criarem e implementarem a gestão e governança de TI de uma empresa. Ele foi lançado em 1996 pela ISACA e sua versão mais recente é o COBIT 2019.

A versão de 2019 expandiu os princípios de governança de TI e separou-os em dois grupos, um dedicado ao sistema de governança e outro a um framework de governança.

Os 6 princípios de um sistema de governança são:

  1. Prover valor para as partes interessadas;
  2. Abordagem holística;
  3. Sistema de governança dinâmico;
  4. Governança distinta do gerenciamento;
  5. Adaptar-se às necessidades da empresa;
  6. Sistema de governança fim-a-fim.

Já os princípios do framework de governança são:

  1. Baseado em um modelo conceitual;
  2. Aberto e flexível;
  3. Alinhado com principais padrões.

O COBIT 2019 ainda traz listas de componentes de sistema, áreas de foco, fatores de desenho, cascateamento de metas e objetivos de governança de TI. É bastante coisa, né? Por isso que, se você deseja atuar na área, é importante buscar cursos de COBIT e de outros modelos de governança. O curso Governança de TI, Segurança Digital e Gestão de Dados da Pós PUCPR Digital, por exemplo, tem uma disciplina que trata apenas do COBIT.

O que faz um analista de governança de TI

Agora que você já sabe conceitos e ferramentas, deve estar se perguntando como é o dia a dia de quem atua na área. Dentro de uma organização, o analista de governança de TI é responsável por:

  • Avaliar o uso atual e futuro da Tecnologia de Informação dentro da empresa;
  • Identificar, planejar e executar mudanças no orçamento e nos recursos da área de tecnologia;
  • Planejar e criar políticas e regras que auxiliem a empresa a alcançar os objetivos de negócio por meio da TI;
  • Monitorar a execução do plano e o cumprimento das regras por parte dos colaboradores;
  • Prever e analisar riscos para criar cenários hipotéticos;
  • Criar e padronizar processos que sejam adequados às políticas definidas.

Quanto ganha um analista de governança de TI

Segundo o Glassdoor, um analista de governança de TI júnior ganha, em média R$ 4.062,00 por mês no Brasil. Já um profissional mais sênior, com especialização na área, pode receber até R$ 10 mil, em média.

Para você ter uma ideia da valorização deste profissional de tecnologia, o salário de um especialista em governança de TI é semelhante ao do mercado de arquitetura de software, que também está aquecido com a transformação digital. Um arquiteto de software também ganha R$ 10 mil, em média, de acordo com o Glassdoor.

Deu para perceber que a governança de TI é uma especialização em alta, concorda? Espero que este artigo tenha ajudado a enxergar mais oportunidades para sua carreira.

sobre o autor

Olívia Baldissera

Jornalista, historiadora e analista de conteúdo da Pós PUCPR Digital.

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