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Saúde Mental e Neurociência

Por que é tão difícil adotar hábitos de vida saudáveis

Por Olívia Baldissera   | 

Beber água, dormir pelo menos 8 horas por dia, praticar atividade física três vezes por semana, evitar frituras e açúcar na dieta, comer salada todos os dias...

Sabemos que todos esses itens são fundamentais para ter mais saúde em nosso dia a dia. Mesmo assim, é difícil incluí-los em nossa rotina.

Os motivos para isso são vários e conhecê-los é o primeiro passo para adotar hábitos de vida saudáveis. É o que você vai ver a seguir:

O que significa ter um estilo de vida saudável?
Lidando com escolhas inconscientes
Não são apenas os hábitos de vida que precisam mudar, mas o ambiente
Aprenda a mudar hábitos com quem é referência

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O que significa ter um estilo de vida saudável?

Um estilo de vida saudável não se resume a se alimentar bem e a praticar exercícios físicos. A definição de saúde da Organização Mundial de Saúde (OMS) ajuda a refletir sobre o conceito: estado completo de bem-estar físico, mental e social do indivíduo.

Ter um estilo de vida saudável é criar hábitos que promovam o bem-estar, cuidando da saúde mental e do corpo. Não é seguir um determinado padrão estético nem dietas restritivas.

E o que seria um hábito?

Do ponto de vista da Neurociência, o hábito é uma estratégia do cérebro para economizar energia. Nossos neurônios criam uma relação biológica com atividades repetitivas, agrupando-as em uma única ação em um processo chamado “fragmentação”. Assim é possível realizar tarefas de maneira inconsciente, sem ter que prestar atenção a todo momento no que fazemos, e dar agilidade ao processamento de informações.

Já dá para imaginar o que significa mudar um hábito para o nosso cérebro, não é?

É uma tarefa que exige muita energia, o oposto do que o nosso corpo procura. Lembremos de nossos ancestrais: em um período com escassez de alimentos e convivência com animais selvagens, a tendência era preservar energia para sobreviver. Assim o corpo estaria repousado para enfrentar jornadas de caça e longos deslocamentos.

>>> Leia também: O que você não sabia sobre a relação entre neurociência e comportamento

Lidando com escolhas inconscientes

Se nosso corpo é programado para conservar energia, então não é de se estranhar que a maioria de nossas decisões no dia a dia sejam inconscientes.

Muitas delas prejudicam nossa saúde quando se tornam rotineiras, como fumar um cigarro, tomar refrigerante no almoço ou assistir a mais um vídeo no TikTok tendo que acordar cedo no dia seguinte.

Esse estado de “piloto automático” é uma forma de sobrevivermos à Sociedade do Desempenho, fenômeno descrito pelo filósofo Byung-Chul Han como um conjunto de modos de vida que se expressam pelo excesso de positividade. As pessoas precisam se superar sempre, sendo multitarefas e altamente produtivas.

Na prática, não temos espaço em nossas agendas nem em nossas mentes para pensar em como seguir hábitos de vida saudável. Precisamos entregar aquele relatório, participar de reuniões online com a equipe, pegar mais freelas para fechar as contas do mês... São alguns exemplos de preocupações do dia a dia que se sobrepõem às tentativas de mudar de hábitos.

Quando encontramos um espaço, podemos ter as motivações erradas. Muitas vezes, a culpa, a vergonha e a autocobrança pela perfeição nos levam a buscar um estilo de vida saudável, em vez do nosso próprio bem-estar.

Também tendemos a nos propor a fazer mais do que conseguimos nessa busca incessante pela produtividade, seguindo a velha expressão “abraçar o mundo com as pernas”. Assim, o que deveria nos fazer bem, como uma atividade física, acaba se tornando fonte de sofrimento.

Por isso, adotar hábitos de vida saudável exige respeito às suas próprias limitações e paciência. É preciso identificar quais escolhas inconscientes são feitas no dia a dia e entender por que elas são feitas. O acompanhamento de um psicólogo pode ajudar nesse processo de autoconhecimento.

O mais importante é saber o que te motiva a mudar e respeitar o seu tempo de mudança. Esqueça o mito de que bastam 21 dias para mudar um hábito. Esse período varia de pessoa para pessoa, de acordo com o comportamento que se quer alterar e o contexto individual.

>>> Leia também: Promoção da saúde mental: um dos maiores desafios do século 21

Não são apenas os hábitos de vida que precisam mudar, mas o ambiente

Força de vontade não basta para adotar hábitos de vida saudáveis se o ambiente não for alterado, de um ponto de vista estrutural e individual.

Quando falamos em estrutura, estamos nos referindo a ações que fogem do nosso controle imediato, como as ações tomadas pelo poder público e pela indústria alimentícia.

Por exemplo, fica mais difícil incluir legumes e verduras no cardápio quando os alimentos ultraprocessados estão, na média, mais baratos do que os frescos. Ou escolher alimentos com menos açúcar quando os rótulos usam termos técnicos e letras pequenas para descrever os ingredientes.

Mudanças do ponto de vista estrutural são de longo prazo e dependem de agentes externos, mas isso não significa que você não possa alterar o ambiente à sua volta.

Quando for ao supermercado, evite comprar alimentos ultraprocessados, como doces, salgadinhos e pratos congelados. "Desembalar menos e descascar mais” deve ser a máxima na hora de ir às compras, conforme o Guia Alimentar para a População Brasileira. Assim você não terá à disposição esse tipo de alimento em casa.

Sempre que possível, deixe o carro na garagem e faça parte do percurso a pé. Ou use as escadas em vez do elevador. Essas pequenas mudanças fazem bastante diferença para quem quer sair do sedentarismo.

Costuma dormir com o celular ao lado da cama? Invista em um despertador analógico e deixe o smartphone em outro cômodo da casa quando for se deitar. Essa ação simples contribui para a qualidade do sono e é uma estratégia prática de detox digital.

>>> Leia também: A relação entre alimentação e saúde mental

Aprenda a mudar hábitos com quem é referência

Ter hábitos de vida saudável é um processo que demanda constância, autorrespeito e informação.

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Sobre o autor

Olívia Baldissera

Olívia Baldissera

Jornalista e historiadora. É analista de conteúdo da Pós PUCPR Digital.

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