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Saúde Mental e Neurociência

O que você não sabia sobre a relação entre neurociência e comportamento

Por Olívia Baldissera   | 

Como o sistema nervoso dita o nosso comportamento? Muito se discutiu sobre esta pergunta no meio científico e ainda não foi encontrada uma resposta única.

A questão é tão intrigante que a neurociência tem um subcampo dedicado ao assunto, a neurociência comportamental. Ela também é multidisciplinar, ao adotar conhecimentos da medicina, biologia, psicologia, psiquiatria e química. A psicologia, em particular, beneficiou-se com os estudos da relação entre a neurociência e comportamento.

A seguir, você conhecerá o conceito de neurociência comportamental e a ligação entre o subcampo e a psicologia. Vamos lá?

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O que é a neurociência comportamental

A neurociência comportamental é o ramo da neurociência que estuda o comportamento de humanos e outros animais a partir de bases biológicas e ambientais. Ela se concentra na análise da conexão entre neurotransmissores e fenômenos psicológicos associados à atividade biológica. Por isso o subcampo também é chamado de "Psicologia Biológica", "Biopsicologia", "Psicobiologia" ou “Neuropsicologia”.

A relação entre neurociência e comportamento intriga cientistas desde o século 18, quando estudos de neuroanatomia passaram a ser sistematizados. Hoje a área científica abrange tópicos como genética, biologia molecular, processos sensoriais, desenvolvimento da memória e processos de aprendizagem. A ligação entre o cérebro e as emoções é outro tema bastante pesquisado, principalmente por psicólogos especializados em neurociência.

A neurociência comportamental também investiga transtornos mentais, transtornos de neurodesenvolvimento e demais distúrbios do sistema nervoso, como:

  • Ansiedade
  • Depressão
  • Drogadição, inclusive alcoolismo
  • Esquizofrenia
  • Transtorno bipolar
  • Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC)
  • Mal de Parkinson
  • Mal de Alzheimer
  • Transtorno do Espectro Autista

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Para fazerem descobertas, neurocientistas comportamentais monitoram as funções neurais e a atividade cerebral de um ser vivo. Para isso, eles contam com tecnologias como:

  • Eletroencefalograma (EEG): o EEG monitora a atividade elétrica cerebal espontânea por meio de eletrodos colocados sobre o couro cabeludo. O dispositivo permite analisar a corrente elétrica que passa pelos neurônios.
  • Tomografia por emissão de pósitrons (PET, na sigla em inglês): o exame de imagem é bastante usado para identificar problemas neurológico. Ele permite uma visualização detalhada da anatomia do cérebro, além de fornecer informações a nível celular.
  • Ressonância magnética (fMRI, na sigla em inglês): a técnica fornece imagens e informações funcionais sobre o córtex cerebral. O fMRI detecta a variação do fluxo sanguíneo no cérebro em resposta a estímulos, ações e demais atividades neurais.

Aqui é importante fazermos a distinção entre a neurociência comportamental e a cognitiva, duas áreas correlatas que muitas vezes são confundidas.

O que estuda a neurociência cognitiva

A divisão entre dois subcampos é didática. A neurociência cognitiva estuda a base biológica da cognição, ou seja, a relação entre o cérebro e os pensamentos, a memória, a linguagem, a percepção, o aprendizado e a emoção. Em resumo, a neurociência cognitiva se refere às ideias, enquanto a comportamental às ações.

Psicologia, neurociência e comportamento

Reparou nos transtornos mentais listados no tópico anterior? Muitos deles são acompanhados por psicólogos, que trabalham lado a lado com psiquiatras, neurologistas e terapeutas para oferecer o melhor tratamento ao paciente.

Os avanços nas descobertas sobre a relação entre neurociência e comportamento depois dos anos 2000 impuseram aos psicólogos a necessidade de se especializar no subcampo. Afinal, para compreender as queixas dos pacientes na sua plenitude, se tornou imprescindível compreender o papel do cérebro nos transtornos mentais e distúrbios emocionais.

O primeiro movimento internacional neste sentido foi o da American Psychology Association (APA), que desenvolveu um programa de treinamento em neurociência para estudantes de Psicologia em 2003. No Brasil, foi fundado o Instituto Brasileiro de Neuropsicologia e Comportamento (IBNeC) em 2009, com o objetivo de difundir a relação entre psicologia e neurociência no meio acadêmico e profissional. Ainda, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) reconhece a neuropsicologia como uma especialidade desde 2004.

O que faz um neuropsicólogo

O neuropsicólogo ajuda pacientes que sofreram alterações no sistema nervoso que influenciam comportamentos, emoções e personalidade. Ele avalia, investiga e cria hipóteses diagnósticas para desenvolver um plano de tratamento e acompanhamento. Ele pode incluir medicação, psicoterapia e atividades de reabilitação.

Munido de conhecimento sobre a relação entre neurociência e comportamento, o psicólogo realizará sessões individuais, entrevistas com familiares e testes de raciocínio para traçar um perfil neuropsicológico do paciente.

Quando falamos em alterações no sistema nervoso, elas vêm de inúmeras fontes. Podemos citar como exemplo:

  • Infecções que causam inflamações no cérebro,
  • Tumores;
  • Disfunções na tireoide;
  • Ingestão de determinados medicamentos;
  • Nervos danificados após cirurgias;
  • Acidentes;
  • Diabetes;
  • Anemia;
  • Esclerose múltipla.

Então um psicólogo pode ser neurocientista?

Sim! Desde que faça uma pós-graduação. Não existe uma formação obrigatória para fazer uma especialização, um mestrado ou um doutorado em neurociência.

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Sobre o autor

Olívia Baldissera

Olívia Baldissera

Jornalista e historiadora. É analista de conteúdo da Pós PUCPR Digital.

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