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Um exemplo do impacto positivo da participação ativa da sociedade na construção de cidades sustentáveis concluiu o segundo dia do evento online “A Prévia” , transmitido no canal do YouTube da Pós PUCPR Digital na última quinta-feira (11).
O caso de revitalização do Rio Pinheiros, em São Paulo, foi analisado pelo arquiteto urbanista e sócio da Artesano Urbanismo Marcelo Willer na segunda palestra do encontro virtual, que teve como tema “Projetos de Futuro em Arquitetura e Urbanismo”. A primeira palestra do evento foi proferida pelo arquiteto Mario Figueroa.
Além das palestras, foi realizado o lançamento de dois novos cursos da Pós PUCPR Digital : Tendências em Arquitetura: Arte, Tecnologia e Impacto Socioambiental e Urbanismo e o Futuro das Cidades: Planejamento Inteligente e Impactos Socioambientais . No início da transmissão, as coordenadoras Cleusa de Castro e Mônica Prosdocimo explicaram a proposta de cada uma das especializações, que têm Willer e Figueroa como professores convidados.
Confira um resumo da segunda palestra de “A Prévia: Projetos de Futuro em Arquitetura e Urbanismo” , proferida por Marcelo Willer. O conteúdo do evento foi adaptado para dar mais fluidez à leitura:
Com a proposta de fazer uma provação sobre o futuro do urbanismo, Marcelo Willer fez uma contextualização do processo de urbanização global e local, partindo do século 19 e da Revolução Industrial.
Ele analisou o fenômeno da urbanização do século 20, alicerçado na ideia de que o ser humano conseguiria dominar a natureza por meio da tecnologia e fazê-la trabalhar para ele. Algumas das consequências desse pensamento foram a abertura de estradas, a criação de cidades e o acentuado êxodo rural no Brasil. Estima-se que 36% da população do país vivia nas cidades em 1950 e, hoje, esse número se aproxima a 90%.
Com a mecanização do campo e a industrialização da economia, cada vez mais pessoas migraram para as cidades em busca de trabalho e uma melhor qualidade de vida, em especial para São Paulo.
O que se viu na capital paulista a partir desse fenômeno foi o surgimento de bairros com urbanização informal. Willer observou que os governos municipal e estadual nas últimas décadas não investiram em infraestrutura para receber as pessoas que chegavam à cidade para trabalhar, em especial nas décadas de 1970 e 1980, o que gerou uma grande dívida urbanística e social.
“O planejamento urbano feito pelas prefeituras e órgãos governamentais é insubstituível, pois eles têm de mediar as necessidades das pessoas e os espaços da cidade. No entanto, essas entidades sozinhas não dão conta de responder as questões complexas que as cidades colocam, que envolvem aspectos sociais, ambientais e físicos de viabilidade e infraestrutura.”, explicou Willer.
Para o professor convidado da Pós PUCPR Digital , o planejamento urbano deve ter uma perspectiva multidisciplinar e envolver outros agentes da sociedade, como empresas, organizações não governamentais e representantes das comunidades.
O arquiteto urbanista Marcelo Willer no evento online “A Prévia: Projetos de Futuro em Arquitetura e Urbanismo” da Pós PUCPR Digital. Reprodução YouTube
O tópico seguinte abordado por Marcelo Willer foi o urbanismo regenerativo. Para entrar no tema, ele apresentou um vídeo do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU) de maio de 2023:
Para Willer, o vídeo resume o olhar que devemos ter para as cidades na atualidade, marcada pelas mudanças climáticas e pelos esforços da humanidade em repensar a forma como se relaciona com o planeta.
“Temos que cuidar das cidades, da pobreza, da educação e da saúde, mas sabendo que, se não olharmos para o planeta, todo esse esforço vai se perder muito rápido”, ressaltou Marcelo Willer.
O professor reforçou o argumento ao mostrar um gráfico com a variação da temperatura global entre 1860 e 2020. Nos últimos 30 anos houve uma aceleração no aumento das temperaturas, o que aumentou a preocupação de adotar práticas produtivas mais sustentáveis :
Reprodução YouTube Pós PUCPR Digital
O aumento das temperaturas e, consequentemente, as mudanças climáticas afetam principalmente as cidades, que são responsáveis por 80% das emissões dos gases do efeito estufa (GEE). Quase metade (38%) vem da construção civil após a entrega das obras, com o uso cotidiano das edificações.
No contexto atual, Willer não acredita que seja possível reverter as mudanças climáticas nem bater a metas do Acordo de Paris de um aumento global de temperatura de até 1,5°C. Reduzir a emissão ou neutralizar o carbono não é mais suficiente, devido à grande proporção que os problemas ambientais ganharam na segunda metade do século 20.
Para ele, é preciso acontecer uma mudança de paradigma na economia, que deve ser pautada em processos regenerativos. Isso significa que, além de eliminar as formas de produção baseadas em combustíveis fósseis , a humanidade deve iniciar processos para reverter os impactos negativos que gerou para o planeta.
Como conclusão da palestra, Marcelo Willer analisou o projeto de revitalização do Rio Pinheiros, em São Paulo, que, para ele, é um exemplo de como a sociedade como um todo (e não apenas os governos) pode solucionar problemas de urbanização.
O processo de assoreamento e de poluição do rio começou em 1928, quando foram iniciadas obras de canalização para direcionar a água à Represa Billings. A inauguração do ramal de Jurubatuba da Estrada de Ferro Sorocabana, em 1957, e da Marginal Pinheiros, em 1970, acentuaram a extinção das matas ciliares e da vegetação natural do rio. O despejo de esgoto doméstico e de resíduos industriais piorou a situação.
Rio Pinheiros em 1929 e em 2010. Domínio Público
Em 1999, o estado de São Paulo iniciou o Projeto Pomar, com o objetivo de recuperar a vegetação nativa de trechos do Rio Pinheiros. Mas a revitalização da região só aconteceu de fato, de acordo com Willer, quando a população voltou a frequentar as margens do rio depois de 50 anos.
Os paulistanos se mobilizaram pela despoluição das águas e fizeram o governo de São Paulo implantar o projeto de revitalização atual, chamado de “ Novo Rio Pinheiros ”, que inclui a conexão de imóveis à rede de esgoto, a remoção de lixo e a criação de espaços públicos de lazer.
O projeto ainda está em andamento, mas já trouxe bons resultados para a região e incentivou as comunidades de outros bairros a exigirem da prefeitura e do governo do estado a limpeza dos córregos.
Para Marcelo Willer, a revitalização do Rio Pinheiros pode ser considerada um projeto de regeneração, apesar de o espaço ainda estar isolado pelas marginais e pelo concreto da cidade.
“A reversão do desastre climático depende de grandes acordos globais e dos governos, mas eles precisam que a sociedade os direcione a um caminho mais ágil e agressivo de mudança. A escala local é um impulsionador desse processo de reversão.”, concluiu Willer.
Como o professor Marcelo Willer destacou na palestra, a discussão sobre o urbanismo regenerativo foi uma prévia do que os estudantes vão aprender na pós-graduação em Urbanismo e o Futuro das Cidades: Planejamento Inteligente e Impactos Socioambientais da Pós PUCPR Digital.
Todas as disciplinas são 100% online e são ministradas por professores referência em planejamento urbano, dentro e fora do país. Além de Marcelo Willer, o pesquisador do Senseable City Lab do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Fábio Duarte, faz parte do corpo docente.
O conteúdo da especialização foi cocriado em parceria com pesquisadores, especialistas e profissionais referência em arquitetura e urbanismo.
Confira o que você vai aprender na pós em Urbanismo e o Futuro das Cidades: Planejamento Inteligente e Impactos Socioambientais :
O evento “A Prévia: Projetos de Futuro em Arquitetura e Urbanismo” foi 100% online e gratuito, com emissão de certificados. Confira as principais ideias discutidas nos dois dias de evento:
Por okleina
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