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Futuro do trabalho

Como anda sua trabalhabilidade?

Por Olívia Baldissera   | 

Pensar no futuro do trabalho pode ser angustiante, o que é compreensível. Afinal, é desafiador se preparar para exercer uma profissão que ainda não existe.

Como lidar com essa sensação? Desenvolvendo novas habilidades e estudando novos paradigmas, como o de trabalhabilidade.

Ele veio acompanhar a ideia de “empregabilidade” no vocabulário de profissionais para ajudá-los a se adaptar às transformações aceleradas no mercado de trabalho.

Continue a leitura para aprender mais sobre esse conceito e como aplicá-lo no seu dia a dia.

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O conceito de trabalhabilidade

Trabalhabilidade é o ato de desenvolver e renovar habilidades de valor para o mercado de trabalho, por meio do desenvolvimento pessoal e profissional de um indivíduo. Este deve se atualizar e administrar a própria carreira para gerar renda, independentemente do vínculo empregatício.

Ou seja, a pessoa não depende de um empregador, de uma empresa, para ter renda. Ela se torna detentora de um conhecimento único e é agente de mudança da própria trajetória profissional.

Esse é a definição de Rosa Krausz, socióloga e fundadora da Associação Brasileira de Coaching Executivo e Empresarial (ABRACEM), presente no livro “Trabalhabilidade” (1999).

Krausz explica a necessidade de todo profissional focar na trabalhabilidade a partir das mudanças pelas quais o mundo passou nas últimas décadas. Os avanços tecnológicos na área de Inteligência Artificial (IA) e na automatização de processos alteraram a lógica do processo produtivo, que depende menos de mão de obra humana para oferecer bens e serviços.

Profissões deixarão de existir e novas vão surgir, o que exige aprendizado constante se você quiser continuar relevante no mercado de trabalho.

Geralmente, o conceito de trabalhabilidade é associado a autônomos e empreendedores. No entanto, ele pode e deve ser seguido por quem é colaborador de uma empresa, para assim continuar relevante no mercado.

A diferença entre empregabilidade e trabalhabilidade

A diferença entre empregabilidade e trabalhabilidade está nos objetivos profissionais do indivíduo e na abrangência dos conceitos.

Empregabilidade pode ser definida como a capacidade de um indivíduo entrar e permanecer em uma organização devido às próprias habilidades e competências. Ela pressupõe permanecer anos na mesma empresa, exercendo a mesma função, e, no caso de desligamento, conseguir se recolocar no mercado.

Isso não significa que o profissional não tenha que se desenvolver nem se manter atualizado. Mas o aperfeiçoamento profissional e pessoal tem como objetivo manter-se empregado, além de ocupar cargos mais altos dentro da organização. Ou seja, a carreira está vinculada à estrutura hierárquica da empresa.

O foco também está em manter um currículo atualizado e competitivo para participar de eventuais processos seletivos.

Já a trabalhabilidade considera as incertezas do futuro do trabalho ao não depender de um vínculo empregatício para ser aplicada. O profissional busca atuar no mercado a de maneira autônoma, sem ter como principal objetivo conseguir um emprego estável.

O que ele ambiciona é ser protagonista da própria carreira, aproveitando oportunidades e experiências do caminho.

Em relação à abrangência, infere-se que a trabalhabilidade engloba a empregabilidade, pois aprimorando a primeira é possível conquistar uma vaga de emprego em uma organização e crescer na hierarquia.

Isso significa que, apesar da associação com o empreendedorismo, a trabalhabilidade não anula a empregabilidade. Não há problema algum em desejar trabalhar em uma determinada empresa, desde que você acompanhe as transformações do mercado e se desenvolva para adaptar-se a elas.

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Como aplicar a trabalhabilidade no seu dia a dia

Partindo da definição de Rosa Krauscz, podemos dizer que colocar a trabalhabilidade em prática significa incluir o aprendizado em nosso dia a dia.

O hábito de sempre aprender algo novo ao longo da vida, de forma voluntária e proativa, é chamado de lifelong learning. Ele, inclusive, é considerado uma habilidade socioemocional indispensável para o futuro do trabalho, de acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

As habilidades socioemocionais são chamadas de soft skills, enquanto as técnicas, de hard skills. Estas são mais fáceis de imaginar como aprender, já que as soft skills são complexas de mensurar. No entanto, é possível desenvolvê-las na sua rotina de trabalho, seja como autônomo ou colaborador:

  1. Invista em autoconhecimento: tire alguns minutos do dia para refletir sobre seus pontos fortes e fracos, suas reações a determinadas situações e sua relação com outras pessoas.
  2. Alinhe expectativas: converse com seu gestor ou cliente para entender o que ele espera do seu trabalho. Isso vai ajudar a identificar as habilidades que você precisa desenvolver.
  3. Peça feedbacks: os feedbacks são ótimos para praticar a escuta ativa e a comunicação assertiva, além de serem uma oportunidade de identificar quais comportamentos você precisa mudar.
  4. Exercite a escuta: ouça o que os outros têm a dizer e reflita sobre o que falaram. Lembre-se de que não é preciso responder imediatamente às outras pessoas. Não tem problema pedir um tempo para pensar e deixar a resposta para outro dia.
  5. Participe de novos projetos: é uma forma de praticar a proatividade, a liderança e a comunicação.
  6. Tenha paciência consigo mesmo: o ritmo de aprendizado varia de pessoa para pessoa. Respeite os seus limites e não se cobre tanto. O importante é não desistir na primeira dificuldade.
  7. Continue a estudar: isso vale para a educação formal e a informal. Faça cursos, participe de palestras, converse com pessoas com diferentes pontos de vista dos seus.

Seja uma soft skill ou uma hard skill, a chave para o sucesso é a constância. Isso significa estudar com regularidade o assunto que você deseja dominar, o que envolve muita leitura (ou escuta, se você for adepto dos podcasts e vídeos) e prática.

Nesse momento de aprendizado, evite distrações. Deixe o celular de lado, vá para um lugar silencioso da sua casa ou do escritório e tire 15 a 30 minutos para estudar.

O tempo pode ser maior, de acordo com a sua rotina, mas tome cuidado com o overlearning – fenômeno que descreve os prejuízos de estudar horas a fio para a saúde física e mental.


Esperamos que este artigo sobre trabalhabilidade tenha sido útil para você. Acompanhe o Blog da Pós PUCPR Digital para mais conteúdo sobre futuro do trabalho.

Sobre o autor

Olívia Baldissera

Olívia Baldissera

Jornalista e historiadora. É analista de conteúdo da Pós PUCPR Digital.

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