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Inovação na Saúde

Ética nas redes sociais: qual a conduta adequada para profissionais da saúde?

Por Olívia Baldissera   | 

Ter uma presença digital se tornou praticamente obrigatório para profissionais da saúde autônomos. E não só para divulgar o próprio trabalho, mas para conscientizar a população.

A Internet é a principal fonte de informação sobre saúde para mais da metade dos brasileiros, empatada com os profissionais da área, segundo pesquisa do Instituto Ipsos de 2021.

Informar o público em geral sobre cuidados com a saúde envolve o compartilhamento de conteúdo nas redes sociais, que se tornaram o principal canal de comunicação entre pacientes e os profissionais da saúde.

Essa forma de contato levantou novos dilemas que levaram os conselhos profissionais a atualizarem os códigos de ética e a publicarem resoluções específicas sobre publicidade e marketing nas redes sociais.

Por isso preparamos esse guia com orientações gerais sobre como agir de forma ética nas redes sociais. Ele é indicado para profissionais da saúde que estão começando a trabalhar sua presença digital.

Aqui você vai ver:

Quem é o público dos profissionais da saúde nas redes sociais
A responsabilidade dos profissionais da saúde ao postar nas redes sociais
O que dizem os conselhos sobre ética nas redes sociais
As regras das principais redes sociais para posts na área da saúde
Como o profissional de saúde pode agir de forma ética nas redes sociais
As consequências de não ter uma postura ética nas redes sociais
Aprenda estratégias de marketing em saúde com quem é referência

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Quem é o público dos profissionais da saúde nas redes sociais

Quase 80% dos brasileiros têm uma conta ativa nas redes sociais, o que representa mais de 171,5 milhões de pessoas. Desse total, 54,7% são do gênero feminino e 45,3%, do masculino.

Os usuários de redes sociais no Brasil passam 3 horas e 49 minutos por dia, em média, conectados nas plataformas. Esse período é 53% maior do que a média global.

Pelo menos 65% dos brasileiros utilizam esse tempo para manter contato com amigos e familiares, enquanto 57,4% usam para ler notícias. As compras aparecem em terceiro lugar na lista de motivos para se conectar às mídias sociais.

Em relação ao tipo de contas que seguem, cerca de 45% dos usuários seguem influenciadores e experts em algum tema. É nesse grupo que se enquadram os perfis de trabalho de médicos, enfermeiros, veterinários, psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas e demais profissionais da saúde.

Além de passarem mais horas nas redes sociais, os brasileiros ocupam o 2º lugar no ranking de quem utiliza o maior número de plataformas por mês. São 8,4 redes ativas, em média. O país está atrás apenas da Índia, que tem uma média de 9,1 redes sociais ativas por usuário.

Mesmo passando tanto tempo conectados, será que os brasileiros sabem interpretar o conteúdo que consomem?

Pesquisas realizadas nos últimos dez anos indicam que não.

Relatório da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) de 2021 mostrou que 67% dos estudantes brasileiros com 15 anos de idade não sabem diferenciar fatos de opinião ao lerem textos, seja no meio impresso ou online.

Fora do país, um estudo da Ofcom realizado em 2015 mostrou que dois terços dos jovens entre 12 e 15 anos, no Reino Unido, não conseguiam diferenciar entre um anúncio e os resultados de uma pesquisa do Google. Ou seja, não sabiam diferenciar um anúncio de uma notícia ou postagem de blog de empresa.

E há pessoas que não sabem diferenciar uma rede social da Internet em si.

Mais da metade dos brasileiros achava que o Facebook e a Internet eram a mesma coisa em 2015, de acordo com o portal Quartz. Realizada em 5 países, a pesquisa solicitava que os participantes respondessem a seguinte pergunta: "o Facebook é a Internet?".

Enquanto 55% dos participantes brasileiros disseram que sim, apenas 5% dos americanos responderam afirmativamente. Os outros países participantes foram Nigéria, Indonésia e Índia, com percentuais superiores ao do Brasil.

Percebe-se que, apesar de terem a Internet como principal fonte de informações sobre saúde, a maioria das pessoas não entende como ela funciona em um nível básico.

>>> Leia também: Como melhorar a experiência do paciente com 7 ações simples

A responsabilidade dos profissionais da saúde ao postar nas redes sociais

Em um contexto de baixos níveis de letramento informacional e digital, o profissional da saúde deve ter cuidado redobrado com o que publica nas redes sociais.

Afinal, ele também é um influenciador, se considerarmos a definição de “influencer” do Marketing Accountability Standards Board (MASB). Segundo a entidade, um influenciador é uma pessoa que tem impacto nas decisões de outras. Ele pode ser tipificado em 3 categorias:

  1. COMPRADOR: pessoa cujo ponto de vista influencia outros membros de uma comunidade a tomarem uma decisão de compra;
  2. ESPECIALISTA: pessoa com conhecimento e expertise em um determinado tópico que é procurada por outros para dar conselhos;
  3. SOCIAL MEDIA: pessoa que publica regularmente nas redes sociais e que conquistou uma audiência engajada.

Os profissionais da saúde são considerados influenciadores especialistas, a partir dessa definição do MASB.

Independentemente do tipo, os influencers têm uma alta credibilidade no Brasil: 76% dos brasileiros acreditam no que é dito por eles nas redes sociais, segundo pesquisa da startup Rapyd. A confiança é ainda maior quando o influencer tem alguma titulação.

No caso dos profissionais de saúde, o conteúdo compartilhado em redes como Facebook, Instagram, TikTok e YouTube pode influenciar a decisão de pessoas que estão fragilizadas e que procuram alguma solução para determinada condição.

Elas podem interromper tratamentos, deixar de se consultar com médicos e até colocar a vida em risco. Tudo por causa da leitura de um post.

>>> Leia também: Ainda há espaço para o atendimento humanizado na saúde? Luana Araújo responde

O que dizem os conselhos sobre ética nas redes sociais

Como o profissional de saúde que quer divulgar seu trabalho nas redes sociais deve agir nesse contexto?

Não existem respostas definitivas para essa pergunta, mas os códigos de ética dos conselhos oferecem orientações importantes para manter uma conduta responsável no meio online.

Separamos as normas dos principais conselhos profissionais da área da saúde. O ideal é que você também entre em contato com a seção da sua região para tirar dúvidas e consultar regras específicas.

Confira:

Normas para uso ético das redes sociais do Conselho Federal de Medicina (CFM)

Normas para uso ético das redes sociais do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen)

Normas para uso ético das redes sociais do Conselho Federal de Odontologia (CFO)

Normas para uso ético das redes sociais do Conselho Federal de Psicologia (CFP)

Normas para uso ético das redes sociais do Conselho Federal de Nutricionistas (CFN)

Normas para uso ético das redes sociais do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO)

>>> Leia também: O que é ética, segundo Clóvis de Barros Filho

As regras das principais redes sociais para posts na área da saúde

Além de saber o que diz o código de ética da sua profissão, é importante conhecer as diretrizes das principais redes sociais para publicações de conteúdo da área da saúde.

meta-logoO Facebook e o Instagram, que pertencem à big tech Meta, proíbem a publicação de conteúdo que promova a desinformação. Com a pandemia de Covid-19, as redes sociais atualizaram os padrões da comunidade e incluíram na lista de remoções a desinformação prejudicial sobre saúde:

  • Desinformação sobre vacinas;
  • Desinformação sobre saúde pública durante emergências de saúde pública;
  • Promover ou defender curas milagrosas prejudiciais à saúde.

youtube-logoO Youtube também atualizou as diretrizes para conter a desinformação sobre vacinas e informações médicas incorretas sobre a Covid-19. Vídeos que violem as normas da plataforma são removidos e, caso a situação se repita mais de 3 vezes, o canal é encerrado.

Antes da pandemia, o YouTube já removia vídeos e bania usuários que promoviam medicamentos sem receita médica e serviços médicos não licenciados.

logo-tiktok-2Já as diretrizes da comunidade do TikTok abordam a saúde na seção "Integridade e autenticidade". A rede social remove conteúdos ou contas que envolvam "informações enganosas que causem danos significativos".

Para o TikTok, "informações enganosas são definidas como sendo conteúdo impreciso ou falso. Removeremos informações enganosas que causem danos significativos a indivíduos, à nossa comunidade ou ao público mais amplo, qualquer que seja a intenção."

Na lista de conteúdos proibidos estão "informações enganosas médicas que possam causar danos à saúde física de uma pessoa". A rede social também remove vídeos que violam direitos autorais.

>>> Leia também: As 5 tendências de tecnologia na saúde para 2030, segundo a ARC

Como o profissional de saúde pode agir de forma ética nas redes sociais

Cada área tem sua especificidade, mas os códigos de ética dos conselhos profissionais compartilham regras e orientações em comum.

Ao fazer publicações nas redes sociais, todo profissional da saúde deve se guiar por essas boas práticas:

  • O profissional de saúde sempre deve informar o nome completo e o registro profissional ao promover publicamente os serviços, seja no meio online ou offline;
  • Fazer referência apenas a títulos e qualificações profissionais que possui. Também deve divulgar qualificações, atividades e recursos baseados em evidências e que sejam reconhecidos ou regulamentados pela profissão;
  • Dependendo da profissão, o conselho autoriza a publicação de depoimentos de pacientes. Mas estes devem ser autorizados por escrito, por meio de termo de consentimento;
  • O conteúdo produzido pelo profissional de saúde nas redes sociais deve ter caráter educativo, com embasamento científico. As fontes sempre devem ser explicitadas;
  • Há conselhos que recomendam a criação de dois perfis, um pessoal e outro profissional.

🚫 O que o profissional da saúde NÃO pode fazer nas redes sociais:

  • Não divulgar informações de modo sensacionalista, como previsões taxativas de resultados ou descontos;
  • Não usar adjetivos superlativos como "o melhor", "o mais eficiente", "o único capacitado" ou "resultado garantido";
  • Não usar o preço do serviço como forma de propaganda, como descontos e promoções;
  • Não fazer publicações no estilo "antes/depois". Não usar imagens que exponham pacientes, que, além de violar o sigilo profissional, ferem as normas da comunidade das redes sociais;
  • O profissional de saúde não deve dar diagnósticos por meio de redes sociais.

>>> Leia também: Você está pronto para o impacto da tecnologia na gestão em saúde?

As consequências de não ter uma postura ética nas redes sociais

O profissional da saúde que não respeita as diretrizes da comunidade das redes sociais nem as regras estabelecidas pelos códigos de ética dos conselhos pode responder na Justiça pelos seguintes crimes:

  • Plágio: copiar o conteúdo de outros perfis viola as normas das redes sociais e é crime previsto no artigo 184 do Código Penal;
  • Charlatanismo: posts com promessas taxativas ou com anúncios de produto podem levar a denúncias de charlatanismo, outro crime previsto no Código Penal (artigo 283);
  • Perda do registro profissional: violar o código de ética de qualquer profissão pode levar ao cancelamento do registro profissional.

>>> Leia também: O que é Saúde 4.0, os benefícios, as tendências e como se preparar

Aprenda estratégias de marketing em saúde com quem é referência

É possível, sim, usar as redes sociais para promover o seu trabalho de forma ética e responsável.

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Sobre o autor

Olívia Baldissera

Olívia Baldissera

Jornalista e historiadora. É analista de conteúdo da Pós PUCPR Digital.

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